Mesmo que você tenha ouvido falar que o livro
demora a “engatar” no assunto específico
sobre cães, dê uma chance ao Encantador
de Cães e leia este livro com
atenção. A experiência e o sucesso
de César não devem ser desprezados,
e sua técnica repetitiva de bater sempre nos
pontos chaves da sua filosofia de reabilitação
canina é uma ferramenta interessante para vencer
os mais resistentes (acredite-me, por incrível
que pareça, muitas pessoas que precisam de
ajuda com seus peludos são as mesmas que se
negam a enxergar seus problemas e que esperam que
as coisas se resolvam sozinhas) e reforçam
conceitos importantes.
As Críticas:
Muitas das críticas feitas sobre o método
do César são facilmente debeladas se
prestarmos atenção nas suas palavras
ou se assistirmos seus vídeos. Um dos pontos
que é alvo das criticas é de que César
faz tudo parecer muito simples, limitado a uma única
regra em que o culpado é sempre o dono do cão.
Ele sem dúvida usa esta afirmação
para criar impacto, mas quando César atende
seus clientes ele não deixa de explicar para
os donos que as necessidades básicas daquele
cão não estão sendo atendidas
(normalmente a falta de exercício é
a principal causa, seguida de perto da falta de regras
claras estabelecidas pelos humanos e não pelo
cão) e ele nunca está errado. Mesmo
quando o cachorro parece ter problemas comportamentais
que não parecem estar diretamente relacionados
com o programa de soluções sugerido
por César, ao exercitar o peludo e estruturar
a vida dele com disciplina e rotina o comportamento
do bichão melhora consideravelmente e ele demonstra
isso na prática. Talvez ele escolha bem os
casos que pretende apresentar (mas quem não
iria ?), mas mesmo que seja este o caso, tenho certeza
de que todas as pessoas com cães “difíceis”
conseguem se identificar com estas situações.
Parte da “culpa” por este tipo de crítica
me parece originada no estilo adotado por César
para apresentar algumas de suas idéias. Em
um primeiro momento parece que ele faz uma afirmação
simplista demais, radical demais, ou totalmente equivocada,
mas quando prosseguimos na leitura podemos observar
que a afirmação original foi feita com
o objetivo de criar um grande impacto na pessoa que
está lendo (até mesmo achando-a incorreta)
e que a explicação dada nas páginas
seguintes são coerentes e corretas. Para citar
um exemplo do livro que me incomodou por um bom tempo
é quando ele parece defender que as raças
têm pouca importância no papel do comportamento
dos cães.
- “.... é um engano se preocupar
com a raça quando se lida com problemas comportamentais”.
Como assim? Ele vai querer me convencer que Beagles
não são teimosos quando querem alguma
coisa? Que Terriers não tendem
a ser agressivos com outros animais? Que Rottweilers
não costumam ser dominantes e territoriais?
Hummmm, não é tão simples assim,
meu caro César!
E logo ele me prova que é simples assim, se
tivermos atenção nos detalhes da leitura
e se olharmos a questão pelo ponto de vista
dele.
Outra crítica que costuma aparecer é
de que Cesar é cruel na sua abordagem com os
cães.
Sinceramente, a Lord
Cão é taxada de ser “melosa”
demais com seus alunos peludos e eu nunca vi nos vídeos
do Cesar, ou nas técnicas defendidas em O
Encantador De Cães, nada que pudesse
ser considerado crueldade. Alguns casos nós
trataríamos de uma forma mais lenta e cheia
de intervalos para premiações com carinhos
e até petiscos, mas chamar Cesar de cruel me
parece fora de propósito. Rígido?
Pode ser. Disciplinador? Sem dúvida,
mas não de forma injusta ou cruel. Intimidador
ou desafiador? Definitivamente não.
E mesmo nas correções mais “duras”
como quando um cachorro tenta mordê-lo ou quando
um cão ataca outro, Cesar não usa de
nenhum recurso de correção bruto ou
que um cão não tem capacidade de entender
como parte natural do comportamento de um outro cão
dominante. Pode parecer muito duro para um dono acostumado
a ver seu peludo como um bebê, mas não
é para o cão.
CRUELDADE PARA O CÃO É NÃO
SER EXERCITADO, É NÃO TER UM DONO DE
COMPORTAMENTO CONSTANTE, É SER DEIXADO SOZINHO
POR MUITAS HORAS SEGUIDAS COM POUCO ESTÍMULO
FÍSICO E MENTAL.
Para mim, a respeito dos métodos adotados
por Cesar Millan, a parte mais dura é justamente
quando ele assume o tão propagado e difundido
“papel de líder da matilha”. Ou
seja, ele, como líder de matilha, não
dá muita “bola” para os cães
de sua matilha. Não oferece carinhos nem favorecimentos.
Não tem prediletos, nem mima os cães
que estão sob sua guarda. Cesar mantém
a ordem, a disciplina, e a harmonia com a sua postura
calma e assertiva, com a sua presença, e com
a exigência de que todos se mantenham calmos
e submissos. Ele cobra de seus cães, mas também
dá os meios e os deixa serem simplesmente cães,
em toda a sua exuberância.
Cesar deixa claro que você pode “afrouxar”
as regras se o seu peludo é do tipo naturalmente
calmo e submisso, ou seja, aquele que não dá
grandes problemas, que naturalmente não desafia
as ordens e regras de seus donos, mas a coisa é
muito diferente quando o peludo em questão
é do tipo nervoso, ou agressivo, ou que prefere
manter os donos obedientes a ele.
Eu sempre digo que é impossível para
a maioria dos donos ser o modelo clássico de
líder da matilha. Eu, como a grande maioria
dos donos, gosto de dar carinho, fazer cafuné,
pegar no colo. Por isso me contento com uma obediência
menos cega e sei que é preciso limitar o número
de cães que vivem sob o mesmo teto, pois somos
líderes “falhos e limitados”. Mas
esse é o preço que se paga para termos
o prazer de estragar nossos peludos um pouquinho,
a menos que eles sejam do tipo que dá problema.
O quê se aprende com o
livro:
Talvez a coisa mais importante a ser aprendida
com O
Encantado de Cães é a dimensão
da nossa responsabilidade com relação
aos problemas comportamentais que nossos cães
apresentam ao longo da vida. É a nossa
falta de tempo, a nossa falta de planejamento, a nossa
falta de comprometimento com as necessidades deles,
e não com os nossos desejos e necessidades
que acabam causando ou piorando os problemas que tanto
lamentamos e que atribuímos quase que exclusivamente
aos pequenos ombros de nossos peludos. Sim, somos
os culpados! Mas o livro nos ensina a entender os
instintos naturais dos cães e porque o conhecimento
destes instintos é tão importante na
nossa convivência com eles.
Chama a nossa atenção, o tempo todo,
que só carinho, roupinhas e coleiras não
tornam a vida de nossos bichos mais equilibrada, nem
os tornam mais felizes, pois as necessidades primordiais
de nossos cães estão muito mais ligadas
a natureza e seus ciclos do que a loucura da vida
urbana e as questões existências que
tanto afligem os humanos.
Cesar defende com uma paixão digna de respeito
que nós e não os cães somos os
verdadeiros causadores dos problemas nesta relação
e o livro coloca, ponto por ponto, o dedo nesta “ferida”
que uma grande parcela de proprietários prefere
não reconhecer.
Entenda o que é ser uma pessoa calma e assertiva
e como isso influencia o comportamento do seu cão
(na verdade influencia o comportamento de outras pessoas
também!). Por que o seu cão vai ser
muito mais feliz sendo um membro calmo e submisso
dentro da sua família e aproveite para entender
que não há nada de negativo no termo
“submisso” quando falamos de comportamento
canino.
Através de relatos simples e concisos você
pode adquirir conhecimentos que mudarão consideravelmente
a sua visão sobre a psicologia canina e a maneira
como você pode planejar seus atos e atividades
a fim de minimizar os problemas mais comuns.
Aprenda como manter a disciplina na sua casa e o
que verdadeiramente realiza e deixa um cão
feliz.
Um interessante relato sobre cães que são
extremamente agressivos (ilustrado por um caso real
e muito triste onde uma jovem de 33 anos foi morta
por dois cães nos Estados Unidos), nos leva
a pensar e a refletir sobre a nossa triste realidade
de mortes e ataques graves causados por cães
que hoje estão sendo abandonados como nunca.
Ah!, mas nem tudo é dureza em O
Encantador de Cães. Cesar cita
vários exemplos de clientes importantes e influentes
que ele atendeu e atende até hoje. Não
deixa de ser divertido conhecer as estórias
dos cachorros de Will Smith, Oprah
entre outras celebridades. E descobrir que até
essas pessoas poderosas e carismáticas têm
tanta dificuldade quanto nós para lidar com
as vontades e manias de seus amados peludos.
E uma grata surpresa: O livro ainda esclarece a
dúvida que muitas pessoas têm de por
que os cães dos moradores de rua são
tão dedicados e obedientes, enquanto que
os peludinhos mais cheios de recursos parecem, muitas
vezes, absolutamente casos perdidos.