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A terceira idade do cão

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Lembra quando o seu peludo chegou? Quase cheirando a leite, atrapalhado como todo filhote, arrancava risadas e despertava os melhores sentimentos em toda a família. Nos primeiros meses, dormia quase tanto tempo quanto brincava. Depois, era necessário manter a casa em ordem: não sobrava um chinelo intacto! Pés de mesa e cadeiras deram conta da coceira na gengiva na troca da dentição. Mas, afinal, quem se importa? Os laços que vocês estabeleceram desde o início da convivência foram se estreitando dia após dia. Ele lambeu seu rosto no dia em que você estava triste, trouxe a bolinha para brincar nas tantas vezes em que você chegou do trabalho nervoso, como se dissesse: “veja só o que realmente vale a pena”. Você nunca duvidou. O seu peludo também comemorou suas grandes alegrias: o pedido de casamento, o nascimento dos filhos, aquela viagem tão sonhada. Abanava tanto o rabinho que até fazia vento na sala. : )

Ele cresceu. A cumplicidade, com o passar dos anos, tornou-se cada vez maior. Vocês se entendem pelo olhar – cada vez mais doce. Haverá um dia, porém, em que você vai perceberá que o seu melhor amigo já não tem a mesma energia. Ele até tenta, mas não consegue mais correr quando toca a campainha. O brinquedo mais querido já não tem a mesma importância – mas você, ahhh! Continua sendo tudo para ele. E ele envelheceu.

Talvez o seu peludo passe a errar o lugar do xixi e coco, um dos sintomas da Síndrome da Disfunção Cognitiva Canina (DCC),também conhecida por “Alzheimer dos pets”, que também faz com que eles troquem o dia pela noite, ou que se sintam desnorteados ou perdidos em locais que antes eram familiares.

Talvez ele perca um, dois, muitos dentes, e não consiga mais dar cabo do osso como antigamente. Talvez o olhar fique embaçado, a audição prejudicada – mas o coração, até quando estiver fraquinho, vai saltar ao ouvir sua voz. Talvez ele tenha artrose, sinta dor nas “cadeiras”, caminhe mais devagar. Mas vai dar seu melhor e tentar se erguer com ligeireza cada vez que sentir sua presença. Talvez ele durma muito, como quando era um bebê, aquele que você aninhava em seu colo e cobria de beijos. E, nessas horas, estará sonhando com as corridas que vocês deram naquela viagem especial. Entre tantos “talvez”, uma certeza: ele continua sendo o seu amor, o seu amigo, merecedor de todos os cuidados e carinhos. Vocês, parceiros há tanto tempo, saberão mudar o ritmo, redimensionar os passeios, adequar os horários, pedir uma força para o sempre presente veterinário nesta nova fase.

A terceira idade do cão é muito semelhante à nossa – não se esqueça – e começa por volta dos sete anos de idade. A gente não se dá conta da velocidade da vida, e a dos nossos bichos é bem mais curta que a nossa. Achamos injusto, é verdade, mas e se pensarmos que pode ser a oportunidade de entregarmos o nosso coração mais e mais vezes? Curta cada segundo com o seu animalzinho, e esteja presente em todos os momentos – até o fim. Ele faria o mesmo por você.

 

Cinco sinais de que o seu peludinho está envelhecendo:

 

1 – Mudanças no pelo e na pele

Com o passar dos anos, o pelo dos animais vai ficando mais branquinho, fino e sem brilho, e a pele mais seca – ainda que estes também possam ser sinais de que algo não vai bem com a saúde do seu amigo. O veterinário pode indicar alguns suplementos, mas aproveite para investir ainda mais na escovação. É uma oportunidade de estreitar ainda mais o relacionamento de vocês e de observar se existem caroços, verrugas ou machucados. Cães de grande porte podem apresentar calos – saliências duras principalmente nos cotovelos – por passarem mais tempo deitados. Uma cama fofinha ou suspensa podem ajudar a minimizar o desconforto. Outra opção é o colchão d’água, especialmente bem-vindo nos dias quentes, mas que pode ser usado no ano todo.

 

2 – Problemas dentários, de visão de audição

Mais uma vez, nossos peludos são nosso espelho! Quem não cuidou dos dentes ao longo da vida tem mais chances de problemas nesta época – por isso, mantenha a rotina de escovação desde a infância do seu amigo. Cães perdem dentes por acúmulo de tártaro, daí a importância da escovação e da profilaxia dentária. Se ele perdeu dentes em sua trajetória, converse com o veterinário sobre uma alimentação mais adequada.

O animal também pode ter dificuldades em enxergar (apresentando catarata e glaucoma) e perder a audição. A linguagem de sinais, palmas e luzes ajudam na comunicação. Com um pouco de paciência, isso não vai atrapalhar e vocês logo vão se habituar à nova rotina.

 

3 – Diminuição na mobilidade

A artrite e artrose são doenças comuns na terceira idade do cão – e na nossa também. Os cães podem ter dificuldade em subir e descer escadas ou do carro e também para se erguer. Nesta fase também ocorre perda de musculatura – daí a importância de manter a rotina de caminhadas, só que mais moderadas. Além do benefício físico, o animal se distrai, sente novos cheiros etc. Existem medicamentos para aliviar a dor, mas nunca, jamais em tempo algum medique o seu animal sem orientação veterinária.

Fique atento às unhas: se o cão caminha menos, não vai gastá-las tanto, e pode ser necessário apará-las com mais frequência.

 

4 – Mudanças no apetite

Os cães podem perder o interesse pela comida na terceira idade. Excluídas questões de saúde (inclusive nos dentes),dá para entender: eles se movimentam menos, logo a necessidade de ingerir alimentos também diminui (lição que a gente deveria aprender quando aparece a primeira pancinha e não nos exercitamos, hehe). Mas existe o outro lado da moeda: alguns peludos mantém o apetite, mas não se movimentam tanto. Conclusão: se tornam obesos, um perigo para as articulações, coluna e saúde em geral.

 

5 – Mudanças comportamentais

Nem sempre velhice é sinônimo de paciência. : )

Alguns idosos podem apresentar mudanças de comportamento: ansiedade de separação, irritabilidade (as dores também podem contribuir para esse quadro) e até fobias que antes não existiam, como o medo de fogos, trovões etc.

“Acidentes” antes inimagináveis podem ocorrer por problemas de saúde como a diabetes, câncer, doenças renais ou no intestino, pela dificuldade na locomoção – às vezes simplesmente não dá tempo de chegar ao lugar certo – e até pela Disfunção Cognitiva Canina (DCC). Xixi e coco fora do lugar são alguns sinais do também chamado “Alzheimer canino”, que inclui mudanças como redução da atividade física, distúrbios do sono, mudanças no apetite, agressividade, diminuição da interação social, desorientação, esquecimento de comandos básicos anteriormente conhecidos, vocalização sem razão aparente. Já existem medicamentos para amenizar os sintomas, mas é sempre necessário apoio em treinamentos com reforço positivo – não adianta brigar com o bichão porque ele carimbou seu tapete novo, pois ele realmente não fez por mal. Tirar o tapete, inclusive, é uma boa ideia, bem como levá-los mais vezes para o quintal ou rua para estimular o “serviço”.

O cão pode, também, se tornar agressivo – ou porque sente dor, ou porque não enxerga ou não ouve e simplesmente se assusta. Observe o que estressa o seu amigão.

Doses extras de amor e tolerância operam milagres, mas vale a pena buscar alternativas para dessensibilização ou apoio em florais, por exemplo.

 

Por Regina Ramoska, com colaboração de Cassia Rabelo Cardoso dos Santos, adestradora e consultora comportamental da equipe Cão Cidadão.

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7 Comentários em "A terceira idade do cão"

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Sandra Soares
3 anos 3 meses atrás

O Blog do BITCÃO é muito bom, traz informações importantes para a saúde dos nossos animaizinhos. Tenho um labrador de 12 anos – Scooby – ele está na fase de quando as vezes ele está dormindo ele faz coco fora do lugar. Aí ele percebe o que aconteceu fica retraido, mas eu falo pro Scooby que não tem problema. Faço agrado nele. Dou abraços.

Dulce
3 anos 3 meses atrás

Acabei de perder meu cãozinho com 13 anos no dia 12/08; Era cardiopata. Estou sentindo que falta a alma na minha casa. Eu o amava muito e disse isso a ele até o último minuto. Muito, mas muito triste essa perda.

Tavares
3 anos 4 meses atrás

Bom dia.
Chorei horrores em pensar no envelhecimento de meus cães (2) mas faz parte do ciclo da vida.
estarei com eles até o fim, e não me envergonho em dizer:
ELES SÃO MAIS MEUS COMPANHEIROS DO QUE MEUS FILHOS!!!!

Fabíola
3 anos 4 meses atrás

Excelente! Além de emocionante muito educativo.
Parabéns!!

Fatima amorim
3 anos 4 meses atrás

Nossa adorei esse texto! Chorei horrores!! Minha melhor amiga,paixão da minha vida, agora aos 13 anos, está passando por todos esses problemas da idade. Mas ela me ensina a ter paciência, coisa que nunca fui boa!!!
Obrigada a vcs do Bitcão que fazem nossa vida mais facil!!! Estão de parabéns!!

3 anos 4 meses atrás

Meu filho viveu quase 18 anos. Era de porte pequeno. Minha paixão. Até os 16 anos parecia um filhote, nos últimos seis meses da vida dele foi quando apresentou alterações e nos últimos dias já não andava, alimentação era dada em seringas. Fralda descartável e tapete higiénico na caminha. No último dia já parecia não reconhecer ninguém. Choro ate hoje quando me lembro desse período.

Ruth Teles
3 anos 4 meses atrás

Ao ler este artigo chorei muito, pois tenho uma idosa em casa e só de pensar que nos restam pouco tempo já sofro com a separação inevitável,portanto procuro dar mais atenção e tranquilidade a ela. Parabéns pelo artigo.

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