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Animal não é presente

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É o sonho que move a vida da gente. O sonho da casa própria, de conhecer um país diferente, casar, ter filhos. E tem coisa mais gostosa do que propiciar a realização dos desejos de quem a gente ama? Amigos, filhos, namorada, marido… O sorriso, emoção e alegria valem todo o empenho. Mas, e quando o sonho dourado dessa pessoa querida é ter um bichinho de estimação?

Esse é um tema bastante delicado. O sonho do seu afilhado é ter um cachorro. Ele já escreveu cartinhas para o Papai Noel, para o Duende, para a Porta da Esperança (ops, essa nem existe mais!) e nada. Cada hora a família dá uma desculpa, até que você saca a sua varinha de condão e decide realizar o desejo da criança. Na hora é aquela festa: quem resiste a uma bolinha de pelo cheirando a leite, ainda mais com lacinho no pescoço? Passadas as festas, começa o perrengue. Aquele animalzinho que deveria ser motivo de alegria e unir ainda mais a família faz xixi no tapete, come as plantas (e dá-lhe veterinário, exame$ etc.), exige uma atenção que ninguém, de verdade, está disponível para dar, nem mesmo seu afilhado – que é apenas uma criança, afinal. Passada a empolgação, o pet fica esquecido no quintal, sem passeios, sem carinho, sem atenção, sem ganhar de verdade o sobrenome da família. É justo com o bicho? Não. Nem com a criança, nem com seus pais.

Incluir um peludo na família é uma decisão muito importante e pessoal, que exige comprometimento por pelo menos dez anos (e sempre torcemos para que seja muito mais). Para que a união seja feliz, é necessária uma entrega verdadeira, caso contrário o bichinho nunca será de “estimação”.

Por isso, antes de embarcar no trenó e sair por aí distribuindo au-aus e miaus de presente, converse bastante com todos os envolvidos. O sonho realizado da criança pode se tornar seu pior pesadelo se os pais não comprarem a ideia e, tempos depois, decidirem dar o bicho, por exemplo (nem vamos falar em abandono, afinal é quase Natal e só queremos coisas boas). A conversa deve ser verdadeira: exponha todos os prós, mas principalmente o trabalho que acompanha. Quem vai catar caquinha, alimentar, passear, brincar o animal? Não conte com crianças para isso, a menos que sejam (bem) maiorzinhas. Existem exceções, claro, mas… São exceções! Os futuros donos estão dispostos a pagar veterinário, virar noites acalentando o bichinho se ele ficar doente, têm uma estrutura pensada em caso de viagem? Sabem da dedicação que ensinar as regras básicas de boa convivência para o novo membro da família exige? Se a resposta para todas essas perguntas for sim, vá em frente! Você vai se sentir a melhor pessoa do mundo por realizar um sonho. Caso contrário, não insista, não faça surpresas, não acredite que com o tempo tudo se ajeita, as pessoas se apegam e coisa e tal. Nem todos estão prontos para esse passo tão especial.

Esses adoráveis serezinhos merecem todo o respeito. Não contribua para que eles tenham uma vida chata, sem estímulos, que sejam um estorvo. Se não forem desejados com todas as forças – e coletivas, claro – o melhor presente é um animal… De pelúcia.

Regina Ramoska

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