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Boas memórias e doces lembranças

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Talvez você já tenha se surpreendido quando seu cachorro traz um brinquedo escondido há tempos (que você nem se lembra onde guardou), ou quando chega à casa de um amigo e vai direto procurá-lo no quarto, ou quando puxa para atravessar a rua antes de se aproximar da casa de algum encrenqueiro que, em outro passeio, latiu ou puxou briga. Os peludos têm, sim, uma tremenda capacidade de se lembrar de coisas, mas o fazem de maneira diferente. Enquanto nós, humanos, temos uma memória episódica, que nos faz lembrar de acontecimentos específicos ao longo da vida, o cérebro dos cães age de outra maneira. Eles possuem a memória curta, ou seja, esquecem um acontecimento em até cinco minutos (isso seria incrível depois de subirmos na balança!) – por isso os estudiosos garantem que não adianta nada brigar com o peludo horas depois da “arte”. Graças à essa memória eles fazem uma tremenda festa quando a gente retorna minutos após colocar o lixo do lado de fora, como se voltássemos de longas férias do outro lado do mundo.

Mas como é que os cães aprendem um novo comando, se em tese não se lembram do treino que aconteceu há cinco minutos? Graças à memória associativa e de longo prazo: eles sabem que ao sentar e deitar, ganham um petisco. Em um estudo da Universidade Eötvös Loránd (Hungria), os cães assistiam às atividades de seus donos e, após dez minutos, eram incentivados a repeti-las. Em um dos casos, a pessoa colocou três objetos aleatórios no local e tocou um deles, uma campainha, ação repetida pelo cão após o intervalo. Para os pesquisadores, isso demonstra que os cães formam uma imagem mental e conseguem recriá-la, comprovando sua memória de longo prazo.

É por isso, também, que seu amigão fica maluco quando você calça os tênis (usados para passear com ele) ou late excitado quando nota que você dirige em direção ao parque. Ele relaciona os sapatos ou o trajeto ao registro de prazer (e certamente ficará frustrado se você desviar o caminho e levá-lo para o banho), mas poderá também, fazer associações negativas se a lembrança for ruim – caso de cães que sofreram maus-tratos, por exemplo. Essa memória, associada à olfativa, permitem que os cães se lembrem de uma pessoa querida após muito tempo, ou até do caminho para casa, ainda que esteja há quilômetros de distância.

 

Velhinho esquecido. Como os humanos, alguns cães simplesmente esquecem tudo o que aprenderam na velhice. A Síndrome de Disfunção Cognitiva, também conhecida como Alzheimer canino, pode acometer cães idosos e é responsável por alterações no comportamento e nas capacidades cognitivas. Os sintomas vão da perda de memória à desorientação, desinteresse em receber carinhos ou brincar, alteração no sono e nas atividades cotidianas. Muitos animais passam a errar o banheiro, coisa que não faziam antes, e até a não reconhecer o próprio dono ou outros animais da casa. Infelizmente ainda não há cura para a doença, mas tratamentos que melhoram a qualidade de vida do bichão. É importante manter rotinas e ensinar, com muita paciência, recompensas e amor, hábitos que eles desaprenderam.

 

Gatos. A memória dos nossos felinos é singular e melhor do que a dos cachorros – eles têm 200 vezes mais capacidade de retenção. Enquanto os cães mantêm uma informação por até cinco minutos, os bigodudos o fazem por 16 horas, desde que, claro, o fato seja interessante para eles (olha a inveja aí novamente!). Segundo os cientistas, essa capacidade estaria no DNA da espécie, que antes de ser domesticada caçava sozinha, ao contrário dos cães, sempre em bando. Assim, os felinos tinham de criar suas próprias estratégias e resolver seus problemas sozinhos, confiando em seus instintos para se dar bem.

Os gatos fazem mapeamento emocional baseados nas memórias – elas estão diretamente relacionadas a experiência de prazer ou dor, medo ou ameaça. Se o bicho sofreu maus tratos, pode ser desconfiado com humanos, vistos como perigo – paciência, carinho e reforço positivo podem dar conta desse quadro.

 

De uma coisa você pode ter certeza: passe o tempo que for, nenhum peludo esquece quem é o dono ou as pessoas que ama. Fica, então, a dica: nunca, jamais, em tempo algum “esqueça” seu amigão. Ele precisa de cuidados, carinho, boa alimentação, passeios e, ao chegar na terceira idade, tudo isso e amor em, no mínimo, o dobro. Vocês estarão para sempre juntos, seja no plano físico ou nas lindas memórias.

 

Regina Ramoska e Cláudia Pizzolatto

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