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Bolinhas da vez

obesidade animal

Houve um tempo em que o nome de muitos cachorros era Bolinha. Hoje existem muitos “bolinhas” chamados Tobby, Florzinha, Thor, Meg… A obesidade, doença do século entre os humanos, é constatada cada vez com mais frequência nos consultórios veterinários.  A mesma equação que nos faz temer a balança – hábitos alimentares errados e sedentarismo – se aplica aos nossos peludos. A diferença é que nós (infelizmente) sabemos a quantidade de calorias do melhor bolo de chocolate do mundo, e a plena consciência do caminho que faz a gordura da picanha (direto para os pneuzinhos). Os nossos bichos não. É claro para nós que o zíper da calça não vai fechar se riscarmos os exercícios e caminhadas de nossa agenda e comermos mais do que o necessário. Para eles não. Cachorro e gato gordos são culpa de quem, então? Nossa!

De longe uma das principais causas da obesidade animal é a humanização: não é incomum os animais terem os mesmos hábitos alimentares dos donos, por exemplo, comendo doces, massas, pães, pizzas, algo que jamais aconteceria na natureza.  Mas peludos alimentados só com ração também podem engordar se comerem mais do que necessitam. A quantidade estipulada pelo veterinário deve ser obedecida, mais do que a recomendada pelo fabricante. Por quê? A necessidade de um animal que dorme o dia todo é diferente de outro que tem atividades físicas intensas, ou está crescendo, amamentando, etc.

Outras mazelas do século, como solidão, carência e estresse, também contribuem para o aumento de peso: o bicho come sem parar para aliviar a tensão (e até nisso eles são parecidos com nós). É pouco provável que ele abra a geladeira ou acesse o saco de ração, mas o dono faz da comida a compensação por não dar a atenção que o peludo precisa, ou não atender às necessidades básicas como passear. Muitos animais não apenas comem muito, mas comem rápido, e essa voracidade pode resultar até em situações muito graves como a torção gástrica.

Bom, e como saber se o animal está obeso ou caminhando para isso? Observe o seu amigo com olhos críticos: ele ainda tem cintura ou mais parece um rolinho? Depois, tente apalpar as costelas: se for difícil, regime já! Não se trata de estética, pois dificilmente o seu peludão vai se ofender se alguém o chamar de gordinho, mas de saúde. Com o aumento de peso surgem as dificuldades de locomoção, dores articulares constantes, alterações cardíacas e endócrinas, diabetes, dermatopatias e aumento do colesterol e triglicerídeos, entre tantos outros perrengues que podem abreviar a vida do animal.

Para que o bichão volte a ter o corpinho ideal – e, principalmente, mais saúde – é fundamental a orientação de um veterinário nutrólogo, que vai definir com o dono qual o melhor tipo de alimentação para emagrecer. O tempo que isso vai levar depende da porcentagem de sobrepeso, e quando o animal chegar lá, deverá seguir uma dieta de manutenção com as calorias necessárias para que não volte a engordar. Ahhh, mas como resistir àquela cara linda de pidão na hora do jantar? Lembrando o quanto aquele pedaço de pizza será prejudicial para a saúde dele! Além do mais, nem sempre o bicho quer comida, mas atenção, entretenimento ou até mesmo carinho.

Como nas dietas humanas, atividades físicas são fundamentais para acelerar o metabolismo e queimar calorias. Caminhe com ele, descubra seu bairro, sua cidade, e incremente os passeios no parque com brinquedos como frisbees e bolinhas. É importante, porém, começar devagar – um peludo gorducho e sedentário tem menos agilidade e resistência. Acredite: a mudança no estilo de vida vai fazer muito bem a ele – e a você!

 

Regina Ramoska

Fonte: Dra. Paloma Dalloz, médica veterinária especialista em nutrição.

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