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Cachorro pequeno é diferente de cachorro grande?

Você já se perguntou por que os cães têm uma variação tão grande de tamanhos, já que todos são cachorros? Segundo novas descobertas de geneticistas americanos, a diferença no tamanho dos peludos é determinada por um único gene. Aliás, os cães são os mamíferos com a maior variedade de tamanhos, sendo o Chihuahua a menor raça e o Dogue Alemão a maior.

A verdade é que quando se trata de amor, carinho e lealdade, não importa o tamanho do nosso bicho, todos eles são o máximo, mas o homem contribuiu muito para que os cães tivessem os tamanhos e as características físicas que apresentam hoje, através dos cruzamentos selecionados entre vários cães para que eles pudessem realizar um determinado tipo de trabalho.

No caso das raças caninas pequenas (embora algumas tenham a sua origem ligada aos trabalhos pesados como, por exemplo, exterminar ratos em armazéns e celeiros) a grande maioria tem sua origem relacionada ao “duro” trabalho de ser um cão de companhia.

Quem tem um cachorro de pequeno porte bem sabe que eles não são uma “amostra grátis” de um cachorro de grande porte. A maioria dos peludos pequeninos é muito carinhosa e companheira, mas não foge de uma boa briga quando é desafiada.

Pequenos, delicados, inteligentes, dóceis, gentis e extremamente apegados aos donos, estes cãezinhos são perfeitos para ficar no colo, dormir no pé da cama ou tirar uma sonequinha no sofá. Sua função primordial é dar e receber carinho. Ideal para pessoas que passam a maior parte do tempo em casa e que preferem curtir o pôr do sol na varanda do que correr na praia, são excelentes companhias para crianças (que devem aprender desde cedo como manusear estes bichinhos com suavidade e respeito) e pessoas idosas.

Ao longo de centenas de anos os pequenos peludos foram apreciados por nobres e plebeus. E se não é difícil encontrar pinturas antigas de reis, rainhas e da aristocracia segurando seus cães de companhia, hoje em dia não é raro ver fotos de celebridades carregando seus Chihuahuas, Miniatura Pinschers, Yorks, Malteses, Pugs e outros peludinhos em bolsas à tiracolo (Prada, é claro!). Depois ainda reclamam de que estes bichinhos costumam ser mimados e temperamentais. Pudera! Eles vêm sendo criados assim há anos!

Estes amiguinhos precisam de carinho, conforto, atenção, cuidados especiais com o pelo, com a saúde e com a alimentação. Com um corpinho tão pequeno, todo cuidado é pouco.

As raças pequenas são mais suscetíveis a acidentes dentro de casa. Um pisão na patinha, um tombo do colo, queda da cama ou sofá podem se tornar graves até com risco para a vida deles. Além disso, os pequenos são mais propensos a certos tipos de problemas de saúde, e seus humanos devem estar sempre atentos. Entre os mais comuns estão:

Luxação patelar – a rótula ocasionalmente sai do lugar, fazendo o cão mancar ou dando a impressão que a pata “falha”. A rótula geralmente volta para a posição por conta própria. Em casos graves, a cirurgia pode ser necessária para corrigir o problema e prevenir artrite.

Problemas de coluna – principalmente nos Dachshund. Peludinhos que possuem os corpos mais longos correm maior risco de lesões nas costas e problemas de disco na coluna vertebral, e a melhor maneira de evitar esse tipo de problema é mantê-los no peso. Tente também limitar a subida e descida de escadas para não sobrecarregar as costas.

Colapso de traqueia – especialmente com chihuahua. Seu peludo faz um barulho estranho quando excitado? Tem tosse ou se engasga nos passeios? Ele pode ter traqueia colapsada, ou seja, achatamento dos anéis cartilagíneos da traqueia ou redundância (falta de tensão) da membrana traqueal dorsal, ou combinação dos dois. Alguns cães passam a vida inteira com traqueia em colapso e não têm problemas com isso; outros requerem medicação. Em casos graves, a cirurgia pode ser necessária para sustentar a traqueia aberta.

Doença periodontais – com bocas tão pequeninas é comum que os pequenos acabem tendo um acúmulo acentuado de alimento nos dentes que, se não forem regularmente escovados ou tratados com produtos especiais, acabam formando placas bacterianas, acumulando tártaro e evoluindo para doenças periodontais. Mais do que bafo ruim, uma boca malcuidada pode gerar infecções na gengiva, perda dos dentes, e as bactérias podem migrar para órgãos importantes como coração, fígado e rins. 

Ter cachorro pequeno é legal porque:

  • Pode viajar na cabine do avião com você ao invés de ir no compartimento de carga 🙂
  • Come pouco, o que ajuda na hora de comprar a ração. O perigo com os pequenos é que se a gente facilitar dando gostosuras e comida do nosso prato eles viram verdadeiros gourmets, com paladar refinado e exigente…
  • O xixi e cocô são pequenos. Tudo bem que cocô e xixi fora do lugar é chato de qualquer tamanho, mas é muito mais fácil limpar a sujeira de um Yorkshire do que de um Rottweiler. A “pegadinha” neste caso é quando as pessoas acham que não precisam reforçar as regras de higiene, já que o cocô e o xixi são pequenos. No começo pode até ser tranquilo, mas depois de 5 anos com o peludinho fazendo tudo pelo meio da casa, ou no pé dos móveis, qualquer dono começa a achar que está incomodando. Outra coisa que precisa ser levada em consideração no caso da higiene é que para estes pequenos a supervisão tem que ser redobrada durante o período de aprendizagem. Além de ser mais difícil “enxergá-los” é preciso lembrar que para eles a área de serviço pode ser muito longe e eles acabam fazendo as necessidades no meio do caminho;
  • Independente do tamanho, não é legal ter um cachorro malcriado e agressivo, mas caso um incidente aconteça, a mordida dos pequenos é menor e, consequentemente, menos perigosa!
  • Outra grande vantagem no quesito “economia” é na hora do banho. A gente dá banho em um segundo e seca em 2 segundos;
  • Para quem não gosta muito de se exercitar, ou não tem muito tempo no dia a dia, ter um pequenino facilita, pois duas voltas no quarteirão já é chão à beça. Mas não se iluda. Por menor que seja, todo cachorro precisa passear regularmente, todos os dias, nem que seja uma voltinha (o ideal são três passeios por dia!), para manter a saúde física e, principalmente, a saúde mental.

Mas nem tudo são flores.

Conviver com os pequenos também tem seus mistérios e as suas dificuldades…

  • Porque são tão fofinhos e com eterna carinha de filhote (característica selecionada geneticamente durante muitos anos para tornar estes peludos ainda mais atraentes e desejados como companhia), a gente acaba fazendo tudo que eles querem e, se não cuidar, acaba com um monstrinho dentro de casa. Exigente, dominante, agressivo, cheio de manias e ciumento;
  • Ainda por conta do tamanho reduzido e da carinha de desprotegido, acabamos carregando no colo muito mais do que deveríamos. Resultado: cachorros inseguros, muitas vezes medrosos, que evitam contato com outros cães e pessoas e que acham que o único lugar seguro é dentro de casa ou no colo do dono;
  • Eles se escondem em qualquer buraco na hora de tomar banho ou remédio, além de escaparem com a maior facilidade pelo meio das nossas pernas;
  • Se quem tem cachorro grande precisa socializá-lo para evitar que o bicho se torne o terror da vizinhança, quem tem cachorro pequeno precisa de uma dose extra de cuidados com a socialização de seus peludos. O problema é que os pequenos acham (acham não, eles têm certeza) que são do tamanho de um São Bernardo quando querem puxar briga com outros cachorros, o que costuma deixar seus donos em uma situação difícil, pois o risco para os pequenos é bem real;
  • Por fim, para os donos que gostam de andar de carro com seus peludinhos no colo (inclusive do motorista) ou com o bichinho solto no banco, é preciso cuidado redobrado pois uma freada brusca pode fazer seu pequeno sair, literalmente, voando e se machucar seriamente ao bater contra o para-brisa, contra o banco da frente, contra o painel do carro ou ao cair entre os bancos. Para evitar estes sustos, utilize acessórios próprios para a segurança deles.

Ter brinquedos especiais para cães de pequeno porte é tão importante quanto ter brinquedos adequados para os grandões. Muita gente não sabe, mas brincar é parte importante no desenvolvimento emocional do cão, no alívio de situações estressantes, e na socialização do bicho, seja com humanos ou com outros cães.

Muitos problemas comportamentais como destruição dentro de casa, buracos no jardim, excesso de energia, ou latidos quando estão sozinhos, podem ser resolvidos ou diminuídos consideravelmente quando o cão tem diversos brinquedos interessantes a sua disposição.

Um brinquedo grande ou pesado demais pode causar ferimentos graves em cães pequenos, desde dentes quebrados até traumas por causa de pancadas. Todo cuidado é pouco.

Ufa! Como é que se escreve tanto sobre cachorros tão pequenos?! É que os pequeninos são inteligentes, amigos e interessantes como qualquer cachorro, mas com um tamanho miniatura eles são deliciosos e irresistíveis.

Claudia Pizzolatto



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