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Comida ou ração?

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Antigamente – e nem faz tanto tempo assim – a maioria dos animais de estimação era alimentada com arroz, fubá, retalhos menos nobres de carne ou até com sobras do almoço ou jantar. Há quem diga que, dessa forma, eles adoeciam menos e morriam de velhice. Não é bem assim: não havia tantos meios para diagnósticos e os animais eram mais “sarados”, já que o nível de atividade física era mais alto. Além disso, não visitavam o veterinário como frequência. Ou seja, talvez a “bisa” do seu totó tenha morrido de câncer, mas ninguém nem soube que ela estava doente.

Saúde e alimentação estão diretamente relacionadas, a gente sabe. Mas como escolher a ideal para o seu amigão diante de tantas possibilidades? Ração seca, úmida, alimentação natural… A indicação, sempre, deve ser do veterinário, a partir da avaliação do perfil do bichão. Cães que vivem em apartamentos e passeiam uma vez por dia têm menos necessidade energética do que os que praticam agility ou se exercitam com mais intensidade, e se comerem demais vão engordar. Gatos com problemas renais podem se beneficiar de ração com menos sódio, mais fósforo e proteína reduzida, ou com dietas funcionais. A escolha do tipo de alimentação – caseira ou industrializada – dependerá do estilo de vida do proprietário, do tempo disponível para se dedicar à alimentação, dos custos e da condição de saúde do animal.

 

ALIMENTAÇÃO NATURAL – DIETAS FUNCIONAIS

A alimentação natural deve ser balanceada para oferecer os nutrientes necessários para o bem-estar do animal – nada de dividir a macarronada com o peludo, hein? Antes de optar por ela, procure um veterinário nutrólogo para criar o cardápio, já que muitos alimentos “humanos” não podem ser oferecidos aos animais. A alimentação natural também pode ser funcional, ou seja, adequada para determinadas doenças, como alergias, cardiopatias, obesidade etc.

Hoje existem diversas empresas que oferecem “marmitas” na quantidade ideal para os peludos, mas você também pode preparar as refeições – desde que atendam, claro, às orientações veterinárias.

 

COMIDA INDUSTRIALIZADA – RAÇÃO

Com tanta variedade no mercado, às vezes é difícil decidir. São inúmeras as marcas, e muitas oferecem opções em diversas categorias, da econômica à super premium. A principal diferença é a qualidade da matéria-prima, responsável pela digestibilidade, ou seja, o quanto é absorvido pelo animal. Nas rações mais simples e baratas o aproveitamento é de 77 %, sendo que nas super premium pode ultrapassar 92%. As proteínas e vitaminas também variam.

 

As embalagens dos produtos para cães e gatos obedecem a uma regulamentação do Ministério da Agricultura. Portanto, a forma como são apresentados os níveis de garantia e o modo de uso do alimento deve ser igual para todos os fabricantes. Os ingredientes devem estar por ordem de inclusão, começando do ingrediente em maior quantidade na formulação.

 

Para saber se a ração é de alta digestibilidade, leia na embalagem quais os ingredientes que a compõem. Fontes proteicas vegetais como soja e glúten não têm alta digestibilidade, e o ideal é que sejam de origem animal (carne de boi, frango, peru, ovelha, etc.). O F.O.S. (fruto oligo sacarídeos) contribuiu para o crescimento de boas bactérias no intestino e melhor fermentação do bolo alimentar.

 

 

TRADUZINDO O RÓTULO

PB – Proteína Bruta:  A qualidade da proteína depende dos ingredientes utilizados na formulação, já que alguns têm maior digestibilidade, ou seja, são melhor aproveitados pelo organismo do animal. Porcentagens altas de proteína não significam que uma ração é melhor do que a outra.

EE – Extrato etéreo: Aponta a quantidade mínima de gordura presente na ração (em porcentagem),mas a qualidade também depende dos ingredientes utilizados na formulação.

UM – Umidade: Declara em porcentagem a quantidade máxima de umidade (água) que pode estar presente no alimento.

MF – Matéria Fibrosa: Expressa em porcentagem a quantidade máxima de fibra da ração.  Pode ser maior em rações específicas, como para animais obesos.

MM – Matéria – mineral: Declara a quantidade máxima de minerais que pode estar presente no alimento, expressa em porcentagem. Neste item estão inclusos todos os minerais do alimento.

Ca – Cálcio: Um alimento com muito cálcio pode levar a problemas ósseos. É também muito importante que se obedeça a relação entre as quantidades de cálcio e fósforo do alimento.

P – Fósforo: Declara a quantidade mínima que deve estar presente no alimento, expressa em porcentagem.

 

ECONÔMICAS OU STANDARD

Por usarem produtos de baixa qualidade em sua fabricação, são as mais baratas do mercado. Regra geral, contém farelos de ossos, soja, penas e bicos triturados, trigo e milho, o que torna a digestão e aproveitamento dos nutrientes muito mais difícil para o peludo, ou seja, ele tem de comer mais para se sentir saciado. Como a absorção dos nutrientes é baixa, o volume de fezes aumenta. Conservantes, corantes, palatabilizantes e outros produtos químicos são utilizados para melhorar o gosto desse tipo de ração.

 

PREMIUM

Consideradas as melhores em custo x benefício, as rações premium são balanceadas, ricas em proteína e têm aproveitamento em torno de 87%, ou seja, o animal se satisfaz com menos quantidade, o que diminui o custo e também o volume de fezes. Sua formulação é fixa, não há a substituição de ingredientes na falta de algum. Algumas marcas usam corantes e palatabilizantes.

 

SUPER PREMIUM

As “top” do mercado são mais caras e têm mais proteína animal, o que facilita a absorção de nutrientes e a digestibilidade, que pode ultrapassar os 92%.  Sua formulação é fixa, não há a substituição de ingredientes na falta de algum. Assim, o animal se sente saciado com quantidades menores de ração e, consequentemente, o volume de fezes também diminui. Além dos nutrientes essenciais, os alimentos super premium disponibilizam nutrientes funcionais, evitando a formação da placa bacteriana, protegendo as articulações etc.

 

ESPECÍFICAS

Existem também rações funcionais, recomendadas para peludos obesos, com doenças renais ou cardíacas, diabetes, alergias etc.

 

P ou EXG?

Para atender às necessidades nutricionais dos peludos, os fabricantes segmentam as rações: filhote, adulto, sênior, raças pequenas, médias e grandes, com pelo longo e por aí vai. Filhotes precisam de mais proteínas e nutrientes que os adultos, mas na “terceira idade” as exigências energéticas diminuem, ou seja, se o animal continuar a ser alimentado com a mesma ração e quantidade, pode engordar devido à ingestão excessiva de calorias. Cães pequenos possuem a relação entre o tamanho do corpo e massa corporal mais elevada do que a dos cachorros grandes, ou seja, têm metabolismo mais rápido e consomem mais energia, demandando rações com quantidade elevada de proteínas de alta qualidade, hidratos de carbono e gordura. A dieta dos grandalhões, por sua vez, exige medidas controladas de cálcio, fósforo e minerais para manter a estrutura óssea e garantir o bom desenvolvimento das articulações. Como o metabolismo deles é mais lento, o teor de gordura também é menor.

 

Tamanho do grão

Escolha de acordo com o tamanho do cão, ou seja, grãos pequenos para cães pequenos, médios para médios e os maiores para os grandões.

 

Como mudar a ração

É importante fazer a transição alimentar aos poucos, para que seu melhor amigo não sofra com cólicas e outros problemas intestinais.

1° e 2° dias:
75% da dieta prévia e 25% da nova
3° e 4° dias:
50% da dieta prévia e 50% da nova
5° e 6° dias:
25% da dieta prévia e 75% da nova
Último dia:
100% da dieta nova

 

Quantas vezes por dia?

O veterinário deve orientar a frequência e quantidade, mas via de regra, cães adultos comem duas vezes ao dia, filhotes três ou mais. Muitos donos, principalmente os que passam o dia todo fora, tendem a deixar ração à vontade, acreditando que o seu amigão poderá morrer de fome, o que não é verdade. Estabelecer horários é importante para:

– Evitar a obesidade, já que você controla o quanto ele come – a regra é ainda mais importante quando existem mais animais na casa e um pode ser mais esfomeado que o outro.

– Reforçar a obediência.

– Controlar as idas ao banheiro (e o cocô fora do lugar, claro).

– Rações expostas o dia todo fermentam e perdem nutrientes, além de atrair insetos, pombos, ratos etc. (credo!). É importante, também, manter o saco bem fechado.

 

RAÇÕES ÚMIDAS

Enquanto a ração seca contém aproximadamente 10% de água, a úmida tem entre 80% e 85% e pode ser oferecida como refeição completa, para dar aquele “agradinho” ao peludo que merece recompensas ou para os mais velhinhos, com menos dentes ou mandíbula enfraquecida. Vale lembrar, porém, a necessidade da escovação nos dentes (em todas as faixas etárias),já que a ração úmida favorece a formação de tártaro.

Gatos se beneficiam ainda mais da ração úmida, que tem proteína como fonte principal de energia. O alto teor de unidade dessas rações (80%) também ajuda a evitar doenças urinárias, causadas pelo hábito dos felinos de beber pouca água.

É importante ficar atento à conservação: além da ração úmida não poder ficar à disposição dos animais, pois resseca e pode atrair insetos, deve ser guardada tampada na geladeira por dois ou três dias no máximo.

 

Ficou mais fácil ou mais difícil escolher a comida do seu parceiro? Lembre-se que se houver dúvidas você sempre vai poder contar com o veterinário e até com os serviços de atendimento ao cliente dos fabricantes de rações. É importante investir na qualidade da alimentação do peludo para evitar doenças na velhice. Bon appétit!

 

Regina Ramoska

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2 Comentários em "Comida ou ração?"

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Maria Cláudia F. fa Silva
2 anos 6 meses atrás

Gostei muito da matéria sobre a alimentação ideal p/ cachorros e gatos. Parabéns

Germana
2 anos 6 meses atrás

Adorei as informações. Fico muito ligada na composição dos alimentos e esse artigo me esclareceu muita coisa!

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