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Cirurgia: cuide antes e depois

peludo

Qualquer cirurgia mete medo, mas muitas vezes são a única forma de resolver um problema de saúde. Mas, para que tudo dê certo, é fundamental seguir à risca as orientações do veterinário antes e depois do procedimento. Regra geral, independentemente da idade do peludo, são necessários raio-X do tórax, exames de sangue, cardiológico com eletrocardiograma e/ou ecocardiograma, além de função renal e hepática. Os resultados balizam não apenas a quantidade e o tipo de anestesia que será utilizada, mas ajudam a identificar doenças muitas vezes silenciosas ou que ainda não se manifestaram. “Quando nós, humanos, temos de nos submeter a uma cirurgia, não realizamos todos os exames, sem discutir? Com os animais é a mesma coisa”, frisa a veterinária Lúcia Tomoe Shikibu, da Clínica Lulu Vet, em Jacareí (SP).

Mesmo com todas as precauções, ninguém está livre de complicações, daí a importância da realização de cirurgia em ambiente hospitalar ou em clínicas que tenham área e equipamentos específicos para isso. “Além da assepsia, só assim é possível monitorar o bicho durante o procedimento e socorrê-lo rapidamente se houver algum problema”, explica a especialista.

Regra geral, é necessário jejum antes de procedimentos cirúrgicos – não tenha pena de deixar o animal sem comer (eles sobrevivem vários dias com o estômago vazio!) e nem cogite mentir para o veterinário, pois isso poderá acarretar complicações durante a operação. Se ele vomitar anestesiado, poderá se sufocar, ou aspirar o líquido, que irá para o pulmão podendo ocasionar edema pulmonar.

Para minimizar o risco de infecções, o peludo deve tomar banho com sabonete antibacteriano e ser tosado antes da cirurgia. É importante, também, providenciar o colar elisabetano ou a roupa cirúrgica com antecedência para que o bichinho volte para casa devidamente “equipado”, o que evita que ele mexa no corte. Embora o colar seja desconfortável, pode ser a solução para aquela turminha da pá virada que não usa roupa de jeito algum. De três a cinco dias após a cirurgia, os pelos tosados começam a crescer e pode haver uma pequena secreção, fazendo com que o animal, que já não sente tanta dor, tente arrancar a sutura – é um perigo! “É preciso observar a adaptação do animal, mas é fundamental que ele não tenha acesso à área do corte, pois pode se automutilar. Em cirurgias abdominais, as mordidas podem até expor os órgãos internos”, alerta a especialista. O ideal é que o bicho use o colar ou a roupinha até a alta. Dá pena? Com certeza! Mas é melhor do que ter de submetê-lo novamente à anestesia e procedimento cirúrgico devido a infecções ou rompimento das suturas.

Dependendo da complexidade do procedimento, o bichinho terá alta no mesmo dia e, muitas vezes, sai da clínica ainda sob efeito da anestesia, descoordenado. Mantenha-o em local seguro para evitar quedas e providencie um cobertor para aquecê-lo, inclusive no transporte para casa. É importante forrar o banco do carro, pois o animal pode vomitar, babar ou até defecar. O ideal é que o peludo seja mantido em repouso – se você não consegue ficar de olho no danado o tempo todo, mantenha-o em um espaço restrito e dê uma repaginada temporária na decoração, de forma a impedir que ele salte para subir na cama, sofá, etc.

Os medicamentos receitados pelo médico veterinário – em geral para dor, anti-inflamatórios e antibióticos – devem ser ministrados rigorosamente, mesmo que para isso você tenha que acordar no meio da noite (sua mãe já fez isso por você). Quem morre de pena de manipular o animalzinho, é meio desajeitado ou tem um peludo destrambelhado pode e deve pedir ajuda ao veterinário para trocar os curativos se necessário. “No pós-operatório é importante observar a presença de secreções, temperatura, respiração – quem trabalha fora tem que considerar tudo isso antes da cirurgia, e se for o caso, optar pela internação do animal ao menos nos primeiros dias”, orienta a Dra. Lúcia. A hipotermia (corpo gelado) pode ser um sinal de hemorragia interna, e a temperatura corporal muito alta e secreção excessiva dos pontos podem significar infecção. Mucosas mais brancas que o normal podem dar pistas de hemorragia interna, mesmo caso do aumento do abdômen.

Com amor e cuidados, em pouco tempo seu amigão estará novo em folha e pronto para muitas aventuras ao seu lado.

 

Cláudia Pizzolatto e Regina Ramoska

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