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Dá para educar o filhote passando o dia fora?

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A cada dia mais e mais pessoas engrossam o time dos donos de peludos. Também, pudera: ter um companheiro de quatro patas melhora nossa qualidade de vida em inúmeros aspectos físicos e emocionais.  A decisão, porém, sempre deve ser tomada com responsabilidade. Quem sai de casa às 6 da manhã e volta meia-noite até pode ter um animal, desde que supra as condições básicas para o bem-estar do bicho, como passeios, alimentação e, claro, companhia. Ninguém gosta de ficar sozinho, muito menos cães e gatos. Coloque-se no lugar dele: você gostaria de passar o dia (e muitas vezes a noite) trancado numa casa ou apartamento, sem interação nem atenção, esperando um dono que vai chegar cansado, só pensando em dormir, sem paciência para brincar ou caminhar, para no dia seguinte seguir a mesma rotina?

Muitas pessoas optam por gatos por acreditar que eles são totalmente independentes, mas não é bem assim. Eles requerem cuidados, carinho, caixinha de areia limpa diariamente e adoram brincadeiras, principalmente na infância.

Se não é o seu caso e você está a fim de aumentar a família, vamos ao que interessa: como cuidar de um filhote longe de casa?

Tire férias
Que bom seria ter direito à licença para cuidar de filhotes! Como ainda não vivemos nesse mundo dos sonhos, planeje a chegada da criança de quatro patas para as férias. Com tempo livre, é possível ensinar o pequeno as regras da casa, como o local do banheiro e o que ele pode (ou não) fazer. Não se iluda, porém: ainda que vocês tenham esse tempo juntos, o bicho não vai aprender tudo de uma vez, e a possibilidade de aprontar na sua ausência é grande – faz parte da natureza dos patudinhos.

Estabeleça regras
O ideal é manter o bichinho dentro de casa nos primeiros meses, até que ele adquira imunidade. Aproveite esse período para ensinar as boas regras de convivência, que devem ser acordadas com os demais membros da família: ele pode dormir na sua cama? Subir no sofá? Fazer guerra de travesseiro? É mais fácil aprender quando todos falam a mesma língua. Pesquisas realizadas por estudiosos do comportamento dos cães apontam que os filhotes caninos estão mais perceptivos e dispostos a absorver e armazenar de forma definitiva experiências com o mundo exterior (incluindo sons, lugares e pessoas) durante a 8ª e 12ª semana de vida.

Evite dependência
Filhotes são deliciosos e irresistíveis, mas tente não mimá-los demais. Depois de um mês no colo e convivendo 24 horas por dia com a família humana, ele pode ter dificuldades com a “vida real”, ou seja, passar horas sem a companhia dos donos. Ao longo do período de adaptação, ausente-se por algumas horas (primeiro uma, depois duas…) tendo sempre em mente que não é legal fazer grandes festas ao sair ou voltar para evitar a ansiedade de separação.

Acabaram as férias, e agora?
Como é que vou deixar aquele bichinho indefeso sozinho durante todo o dia? E se a água acabar? E se ele sentir fome? E se…???

Dedique-se um pouco mais
Calma! A capacidade de adaptação dos bichinhos é bem maior do que a nossa, o que não quer dizer que você vai fechar a porta e apenas torcer para nada dar errado. É provável que o seu querido ainda não tenha aprendido direitinho onde é o banheiro, então a dica é acordar um pouco mais cedo, alimentar o bicho e esperar ele se aliviar, premiando sempre que ele acertar. Se ele errar quando você estiver fora, não brigue. Lembre-se que a memória deles é curta, e passadas várias horas ele não terá ideia do motivo da reclamação.

Rotina é um grande aliado
Filhotes devem ter hora para comer: alimente-o antes de sair e na volta e não deixe comida disponível o dia todo. Normalmente os cães defecam 20 minutos depois de comer, e esse hábito ajuda o pequeno a aprender onde é banheiro, pois você está por perto para ensinar (e elogiar os acertos). Além disso, permite que você controle quanto o animal está comendo e evita que a ração oxide depois do contato com a saliva do seu amigão.

Exercícios e ambiente seguro
Brinque bastante como peludo antes de sair de casa e, se ele já estiver vacinado, capriche na caminhada para cansá-lo. Verifique se a sua casa está à prova de filhotes e não há risco dele se machucar (mastigando a mangueira de gás ou derrubando algo da mesa, por exemplo).  Restringir o espaço do pequeno enquanto você se ausenta também é uma boa ideia, mas lembre-se de dar distância entre o prato de água, caminha e banheiro – até as mais apertadas quitinetes humanas levam em conta essa lógica, e seu peludinho não vai querer dormir ao lado da “privada”.  Telar janelas e varandas é essencial, ainda mais se o seu companheiro for gato. O animal fica do lado de fora? Certifique-se de que ele não passa pelos vãos do portão, se não há plantas venenosas, fios desencapados e até aranhas e cobras. Crianças de todas as espécies são, por natureza, curiosas, e cabe a você prevenir acidentes.

O enriquecimento ambiental faz maravilhas pelos pequenos: esconda petiscos pela casa e ensine-o a “buscar os tesouros”, ou recheie brinquedos com gostosuras para que ele se divirta na sua ausência. Brinquedos e arranhadores, por sinal, são ótimos para entreter filhotes de gatinhos – deixe vários disponíveis, ou eles podem decidir com o que se entreter – afiando as unhas no sofá, por exemplo.

Peça ajuda
Creches são ótimas para socializar (e cansar) o peludo mas, além do custo considerável, em geral só aceitam filhotes após a última dose de vacina.  Existem, porém, outras opções, como pet sitters ou hospedagem domiciliar. Talvez um amigo ou vizinho com mais disponibilidade de tempo possa visitar o bebê ao longo do dia, ou até ficar com ele enquanto você está fora – só lembre-se de combinar com ele as regras da casa!

De volta…

Já falamos em dedicação?
Depois de um dia difícil, você finalmente chega em casa e só quer descansar e ver um bom filme, certo? Bem, você pode até querer, mas se tem um animalzinho a realidade é outra: precisa dedicar um tempo só para ele. Não faça muita festa ao entrar para evitar a ansiedade de separação, mas depois de alguns minutos, deite e role! Brinque, corra, jogue bolinha, mostre o quanto ele é especial. Aproveite para ensinar os comandos básicos de obediência (você vai agradecer essa dica mais tarde, acredite) ou saia para caminhar – é bom para o bicho e para você, que relaxa das tensões diárias.

Nos finais de semana, com mais tempo livre, redobre ou triplique a atenção e os treinos. Em pouco tempo você vai observar que um cão que se diverte bastante nas folgas da família fica quase de “ressaca” no dia seguinte, dormindo boa parte do tempo.

Um é pouco, dois é bom…
Uma opção a considerar – se você tem espaço e condições financeiras – é criar dois filhotes ao mesmo tempo: dois gatos, dois cachorros, um cão e um gato. Dá trabalho? Bem, você vai limpar mais cocôs, vai comprar o dobro de ração, gastar o dobro em vacina e vermífugo, mas o amor também dobra, e oito ou mais patas se divertem e fazem companhia um ao outro.

 

Regina Ramoska

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1 Comentário em "Dá para educar o filhote passando o dia fora?"

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Fátima Braga Reis
1 mês 6 dias atrás

Ótimo. Tenho 2 cães. Um macho e uma fêmea. Ambos castrados

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