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De pais para filhos

cães policiais

As características físicas e o temperamento dos pais são observados pelos veterinários antes dos cruzamentos, mas a seleção dos que “seguirão carreira” só ocorre depois dos quatro meses, quando são identificadas as aptidões de cada filhote. Antes, ainda na maternidade, como é chamada a área que abriga a “criançada”, eles recebem os primeiros estímulos por meio de brincadeiras em diversos tipos de terreno (grama, poças d’água, etc.),procuram rações escondidas para testar o faro e se acostumam, de forma gradual, aos mais diversos ruídos para que, quando adultos, não se assustem com barulhos de fogos ou bombas. Nesse meio tempo, os adestradores conseguem identificar os que têm – ou não – perfil para o cargo. No ano passado, na Austrália, o pastor alemão Gavel ficou famoso após ser reprovado no treinamento para policial por conta de seu temperamento dócil e ganhar um novo e inédito trabalho: tornou-se o ‘primeiro-cão oficial vice-régio da província’, sendo encarregado de recepcionar visitantes e turistas na sede do governo de Queensland.

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Os peludinhos com vocação policial passam por um período considerável de treinamento: cerca de um ano e meio para cachorros que farão o policiamento ostensivo e quase dois anos para os de faro. O reforço positivo é palavra de ordem, para que o animal associe as tarefas à diversão. Primeiro, o cão-recruta tem que executar direitinho todos os comandos básicos – senta, deita, fica – para, só depois, entrar na segunda etapa de treinamento, seja para abocanhar e segurar a ‘presa’ (ou preso!) ou para identificar os mais diversos tipos de odores. Para o cão, tudo é uma grande brincadeira, e os Kongs e outros brinquedos recheáveis são os favoritos. Há quem acredite que o cachorro pode se viciar, mas não: nos treinamentos, o animal não tem contato com o entorpecente, e sim com uma gaze com o odor característico.

Cada cão, normalmente, fica com o mesmo policial durante toda a sua “carreira”, com quem cria fortes vínculos afetivos – muitas vezes, o parceiro humano vai visitá-lo no canil quando está de férias, por exemplo. No ano passado, a foto de um policial militar marchando com um cachorro nos braços em um desfile de 7 de Setembro, em Fortaleza, viralizou nas redes sociais – o soldado percebeu que a proteção das patas havia caído e carregou o amigo para que ele não se queimasse no asfalto quente. É natural, então, que o animal curta a aposentadoria, aos oito anos, com seu parceiro de vida. Afinal, é amor que não se mede.

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5 Comentários em "De pais para filhos"

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2 meses 23 dias atrás

esse policial realmente honra a fidelidade de seu parceiro
é com homens assim que nosso pais precisa contar
orgulho para a raça humanaARe

Milena Barra
2 meses 24 dias atrás

Faço minhas as palavras certeiras da Patrícia Meciano! Também fiquei com os olhos marejados! Só quem ama se preocupa com um asfalto quente! Os que não amam, não conseguiram entender esse gesto…
Esse policial merece um beijo! Que existam mais pessoas assim neste mundo!

Beth
2 meses 26 dias atrás

Maravilhosa reportagem

Neide dos Santos Lima
2 meses 26 dias atrás

Cães são merecedores de tudo que há de bom, porque são realmente os melhores companheiros.

Patrícia Meciano
2 meses 27 dias atrás

Os meus olhos se enchem de lágrimas quando um humano sabe que o peludo depende 100% dele para absolutamente tudo, inclusive não queimar as patinhas pois, por ele, ele fica ao lado do seu tutor independente das agruras que eles possam passar, por isso eu faço tudo pela minha filhota que inclusive é uma Pastora…. Branca, mas ainda assim, pastora…… essa raça é demais!! Parabéns ao soldado!!

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