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Seu peludo tem diabetes?

animais diabéticos

O diagnóstico de diabetes não é o fim do mundo – com o avanço da medicina veterinária, é possível que o bichinho viva bem e muito, mas para isso são necessários cuidados constantes.

O diabetes é causado tanto pela diminuição da produção de insulina quanto pela diminuição de sua ação. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que auxilia a mover a glicose do sangue para as células do corpo, onde é utilizada para produzir energia – como se fosse o combustível de um automóvel. As células de indivíduos com diabetes mellitus não absorvem o suficiente de glicose, que se acumula no sangue, fazendo com que as células “morram de fome” e danificando os órgãos banhados em sangue açucarado.

Fatores de risco

Vários fatores aumentam o risco de um cão desenvolver diabetes, como raça (Dachshund, Schnauzer Miniatura, Poodle e Beagle, entre outras),idade (a partir dos 7 anos, embora não seja regra),sobrepeso, dieta (excesso de gordura pode contribuir para a pancreatite),infecções por vírus, inflamação no pâncreas ou crônica no intestino delgado, doença de Cushing (excesso de produção do hormônio cortisol) e uso prolongado de drogas como progesterona ou esteróides.

Fique atento aos sinais

O diagnóstico do diabetes se dá por meio de exame de sangue, bioquímico e de urina, mas alguns sintomas apontam que algo está errado:

  • Sede extrema
  • O animal faz muito xixi e com frequência
  • Aparecem formigas no xixi – sinal de que há açúcar ali
  • Perda de peso apesar do apetite
  • Fraqueza, letargia
  • Catarata (embaçamento ou perda da visão)

Constatada a doença, o mais provável é que o veterinário prescreva aplicação de insulina para manter os níveis de glicose no sangue próximos ao normal – que será definida pelo veterinário. Isso faz com que o cachorro se sinta bem e tenha menos chances de complicações a médio/longo prazo. Quando a doença não é tratada adequadamente, o animal pode sofrer com o endurecimento das artérias, doenças renais, problemas na retina, etc. Além disso, como bactérias prosperam em uma dieta com alto teor de açúcar, cães com diabetes são propensos a infecções de gengiva, urinária, de pele, etc. Dieta adequada, perda de peso (se o cão está gordinho),um programa de exercícios e testes domiciliares de níveis de glicose no sangue fazem parte do tratamento.

Com raras exceções, cães com diabetes precisam de um a dois tiros diários de insulina para sobreviver, injetada logo abaixo da pele. O veterinário vai avaliar a rapidez com que a insulina começa a funcionar, quando acontecem seus picos de ação e a duração na hora de prescrever o tratamento.

Monitoramento doméstico

Animais diabéticos devem ser pesados regularmente e o dono deve ficar de olho em sinais como excesso de fome, de sede e de urina, indicadores de que os níveis de glicose podem estar altos. Além disso, o teste regular do nível de glicose no sangue do seu cão pode revelar problemas antes de se tornarem emergências.

Para medir a glicose sanguínea é necessária uma pequena amostra de sangue e, embora a punção seja praticamente indolor, a picadinha pode incomodar seu bicho. Por isso, o ideal é que ela seja realizada quando seu amigão estiver calmo e relaxado, já que o estresse pode alterar os resultados, e que sempre seja recompensada, para que ele associe o procedimento a coisas boas.

Coloque o peludo numa posição confortável, faça muito carinho e dispare o aparelho ou algumas lancetas de segurança enquanto oferece um petisco bem gostoso (lembre-se, porém, que animais diabéticos devem obedecer à dieta). Dessa forma, ele se acostuma com o barulho do aparelho e entende que algo bom acontece depois. Só comece a rotina de medições depois que ele estiver tranquilo com o processo.

Os níveis de glicose aumentam após as refeições, ocasionalmente quando o cão está doente e quando a dose de insulina é muito baixa ou temporizada incorretamente. Eles caem durante o jejum, após o exercício, quando a dose de insulina é muito alta ou temporizada incorretamente. Ambos os níveis – muito altos e muito baixos – podem ser perigosos.

O teste é realizado com um aparelho específico, o monitor de glicose no sangue para cães e gatos. É preciso picar uma área sem pelos (as orelhas, por exemplo) com uma lanceta, coletando a gota de sangue que é depositada em uma fita específica, inserida no aparelho e que aponta os valores glicêmicos. O monitor de glicemia deve ser específico para animais: os glóbulos vermelhos de animais são menores e bloqueiam os poros da membrana da tira de teste humano – desta forma, apenas uma parte da glicose na amostra do sangue é medida, gerando valores incorretos.

Exames de urina para monitoramento das cetonas (um subproduto venenoso da quebra de gordura) também devem ser realizados com regularidade.

Dieta

Muitos especialistas recomendam uma dieta com pouca gordura e alta em fibras, que retardam a entrada de glicose no sangue e aumentam a saciedade do animal, fazendo com que ele coma menos e perca peso. O veterinário pode prescrever uma ração específica para a cães com diabetes ou uma dieta caseira desenvolvida por um nutricionista veterinário. Como medida preventiva é possível encontrar rações com baixo índice glicêmico, baixa calorias e muito saborosas; sem grãos, nem transgênicos.

Exercício

Exercícios regulares ajudam a reduzir o peso do cão e os níveis de glicose no sangue. A consistência (mesmo período de tempo e esforço) é importante – uma sessão de exercícios excepcionalmente longa ou vigorosa pode fazer com que os níveis de glicose no sangue caiam perigosamente.

caes-diabeticos

Perda de peso

Se o cão está acima do peso, perder alguns quilos pode tornar as células mais sensíveis à insulina, facilitando a absorção de glicose. Além de exercitar o animal em caminhadas, estimule brincadeiras para que ele se movimente mais.

Castração

Evita que que os hormônios produzidos pelo organismo das cadelas interfiram no tratamento.

Dia a dia com seu cão diabético

Manter um diário de bordo ajuda a monitorar o progresso do seu cão diabético. Todos os dias, registre os resultados do teste de glicose no sangue, de testes de cetonas, mudanças no apetite, peso, aparência, ingestão de água, frequência de urina ou humor. Qualquer alteração deve ser comunicada ao veterinário.

Se a glicemia estiver acima do valor determinado, o veterinário deve se comunicado imediatamente, pois o cão poderá ter cetoacidose (níveis prejudiciais de cetonas no sangue),cujos sintomas incluem beber muita água, urinar frequentemente ou copiosamente, perda de apetite, fraqueza, vômitos, letargia ou, em casos extremos, coma.

Existem testes específicos para monitorar a presença de cetonas na urina.
Por outro lado, a hipoglicemia (quando o nível de glicose abaixo no nível de normalidade) pode ser sinalizada por inquietação, letargia, confusão, fraqueza, tremores, falta de coordenação, suor nas patas, convulsões ou coma, e o animal precisa de socorro urgente.

Com o avanço da medicina veterinária, dar qualidade de vida a um animal diabético é cada vez mais fácil. Monitorar a glicemia fará parte do cotidiano de vocês, como os exercícios, brincadeiras e escovação do pelo e dos dentes – e ver nossos peludinhos felizes e de bem com a vida não tem preço!

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Cláudia Pizzolatto e Regina Ramoska

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