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Doação de animais: pode ser bom para o bicho

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Para quem ama animais, é difícil entender como muitas pessoas simplesmente “passam para frente” o seu melhor amigo. Quem se expõe e anuncia a doação de animais por falta de tempo, excesso de energia do filhote, etc. tem de estar preparado para uma enxurrada de críticas e malcriações. Muitos, para não ter que lidar com o bombardeio certeiro, acabam abandonando o peludo em locais distantes e alegam aos conhecidos que o Rex “fugiu”, fingindo consternação.

Se analisarmos friamente, porém, que vida tem um cão ou gato que vive proscrito, sem um pingo de amor, sem cuidados, sem passeios, apanhando muitas vezes por “já” ter três meses e não ter aprendido onde é o banheiro ou por soltar pelos? Em muitos casos a doação de animais é, sim, o melhor para o bicho: ser doado para quem realmente gosta e está pronto para ter um amigo de quatro patas, que entende a natureza dele e que pode proporcionar uma vida equilibrada.

Os peludos têm a capacidade de transformar a vida dos humanos com seu amor incondicional, com sua capacidade de perdoar e valorizar o que há de mais simples. E, como qualquer ser vivo, precisam de cuidados – não apenas com a saúde física, mas mental. De pouco adianta ração de primeira qualidade e acesso a cuidados veterinários se o bichinho vive confinado no quintal, sem interação com humanos, como se fosse um objeto de estimação. Cães e gatos precisam ser alimentados, escovados, educados, exercitados e amados com regularidade.

Há quem compre ou adote um animal sem considerar tudo isso. Trabalha de dia, sai toda noite, volta para casa só para dormir e abastecer o pote de água e ração. Isso não é vida para o peludo. Nem mesmo os gatos, em tese mais independentes, podem ser saudáveis mentalmente com essa rotina. Há ainda aqueles que, alegando não aguentar ver um bicho perambulando pela rua, tornam-se acumuladores, lotando suas casas mesmo sem condições de oferecer o mínimo de dignidade. Apenas carinho não enche barriga: recursos financeiros mínimos também são importantes.

O poder de superação e adaptação dos peludos é muito maior do que a gente imagina, e uma nova família pode ser sinônimo de amor de verdade. Em muitos casos, esses bichos encontram suas almas gêmeas, como um vira-latinha desprezado pelo dono ainda na infância que passou a ser alimentado e acabou adotado pelos vizinhos e que hoje está com 17 anos, um gatinho que apanhava de crianças em um condomínio e hoje é o rei numa casa com mais três cachorros ou um casal de Golden Retriever que trocou uma mansão num bairro nobre onde não significava mais do que um tapete persa por uma vida livre num sítio, rodeado de carinho. São incontáveis as histórias de laços de amor que nascem das formas mais improváveis. A doação de animais pode ser, sim, a melhor opção e um recomeço para um cão ou gato.

 

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Cláudia Pizzolatto e Regina Ramoska


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