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Dos bichos para o homem

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Nossos amigos de quatro patas são, principalmente, fonte de amor, carinho, companhia e felicidade.  É raro, mas eles podem se tornar vetores de doenças, e é nossa a responsabilidade de cuidar para que isso não aconteça, bem como buscar informação e impedir que ideias erradas sobre riscos e formas de contaminação sejam levadas adiante.

Zoonoses são doenças que podem ser transmitidas do animal para o homem e vice-versa, tanto por meio de contato direto com secreções ou excreções ou pela ingestão de alimentos contaminados de origem animal, como carne, leite etc. Mas existe prevenção, e simples: a maioria delas pode ser evitada com bons hábitos de higiene (como recolher as caquinhas que seu bicho deixa pelo caminho),vacinação e vermifugação. Conheça oito delas.

 

1 – Bicho geográfico

O “bicho geográfico” é uma doença de pele causada pelo parasito Ancylostoma caninum, verme que se aloja no intestino delgado de animais infectados e se alimenta de sangue, causando anemia principalmente em filhotes (infectados na gestação),e pode ser fatal. Cães adultos podem ser assintomáticos ou ter queda de pelos, diarreia ou fezes com sangue. Os ovos do Ancylostoma caninum são expelidos com as fezes – se o animal se aliviar na areia ou terra (sabemos que você não deixa as sujeirinhas do seu amigão por aí),esses ovos se transformam em larvas que só ficam esperando um hospedeiro. Ou seja, você não precisa pisar no cocô para se contaminar. A areia ou terra podem estar aparentemente “limpinhas” e as larvas à sua espera. Que medo! Elas furam a pele e abrem túneis minúsculos para caminhar pelo corpo do humano, que passa a ter uma coceira animal (desculpem o trocadilho). Quando as larvas andam, deixam rastros que mais parecem um mapa – daí o nome bicho geográfico. A BitCão sempre reforça a importância de manter os peludos vermifugados e, claro, recolher todas as caquinhas que eles deixam pelo caminho.

 

2- Sarna sarcóptica (Escabiose)

Provavelmente você já se compadeceu ao ver um bichinho na rua quase sem pelo, cheio de crostas e lesões, se coçando aflitivamente. Um dos motivos pode ser a sarna, doença de pele causada pelo ácaro Sarcoptes Scabiei nos cães e Notoedres cati nos gatos, que deposita seus ovos no pelo dos animais e “esburaca” a pele até as camadas mais profundas, causando dor, estresse e sofrimento. E ela não ocorre apenas em animais de rua, não! Pode atacar até o mais bem tratado dos bichos se ele tiver contato com outro contaminado ou com toalhas, caminhas e cobertas que o animal doente usou – tudo deve ser fervido ou descartado. O bichinho com sarna deve ficar isolado de outros companheiros peludos durante o tratamento. A melhor prevenção é a higiene.Já a sarna demodécica (ou sarna negra) é transmitida pela mãe e não “pega” nos humanos.

 

3 – Giardíase

Vômitos, diarreia e perda de peso são alguns dos sintomas da giardíase, causada pelo protozoário G lamblia ou G duodenalis, que se hospeda nos intestinos de pessoas e animais e encasula-se em cistos, que sobrevivem por meses no ambiente após serem eliminados com as fezes. Esses cistos podem infectar a água ou alimentos, contaminando outros indivíduos de duas ou quatro patas. Uma vez dentro do hospedeiro, os cistos se dissolvem e os parasitas são liberados. A melhor prevenção, além dos hábitos de higiene, é a vacinação, e existem vermífugos que dão conta da eliminação do protozoário.

 

4 – Leishmaniose (calazar)

Outra doença bastante temida é a leishmaniose, transmitida por flebótomos, insetos minúsculos que causam um estrago danado. Eles se reproduzem em matas úmidas e locais com matéria orgânica, como terrenos baldios e depósitos de lixos, e ao picarem um cão infetado, recolhem os parasitas que se multiplicam em seus estômagos e que contaminarão outros cães e humanos. Apesar dos flebótomos serem os vetores da doença, em diversos locais a recomendação ainda é a eutanásia dos peludos, entendendo-se serem eles reservatórios da doença. Ainda não existe cura para a leishmaniose, mas há tratamento para reverter os sintomas: emagrecimento progressivo, aumento do baço e fígado, crescimento exagerado das unhas e ferimentos na pele que não cicatrizam. A prevenção pode ser feita por meio de coleiras e produtos repelentes ou por meio da vacinação – a Leish-Tec, desenvolvida pela UFMG, garante 96% de proteção.

 

5 – Brucelose

A brucelose canina, causada pela bactéria Brucella Canis, ataca o trato reprodutivo, causando, em geral, aborto entre 45 e 59 dias de gestação. Também podem dificultar a concepção e tornar os machos inférteis. Muitas vezes é assintomática, ou seja, o peludo não apresenta nenhum sinal de doença, mas ela está lá e ele pode infectar outros animais. A forma mais comum é por meio do contato oro-nasal com a secreção vaginal de fêmeas infectadas ou com a urina de machos que tenham a doença. É raro, mas os humanos podem se contaminar se tiverem contato com secreções dos genitais ou urina dos cães com a bactéria, feto abortado pela doença ou a placenta. Os sintomas são febre, dores de cabeça e musculares.

 

6 – Raiva

Doença viral e fatal, ataca o sistema nervoso central de mamíferos. Há uma mudança de comportamento e o animal passa a não reconhecer o seu ambiente e o seu dono, prefere locais escuros, para de se alimentar e de beber água. O cão ou gato parece estar rouco ou engasgado, e a morte acontece em pouco tempo. Embora os casos de raiva sejam esparsos atualmente, a vacinação continua sendo essencial: é a única forma de prevenir a doença.

 

7 – Toxoplasmose

O Toxoplasma gondii, que causa a Toxoplasmose, é encontrado nas fezes dos gatos que ingeriram carne malpassada, ratos ou pássaros com cistos do protozoário. É muito raro o gato contaminar o humano: para isso, seria necessário que ingeríssemos acidentalmente suas fezes contaminadas (eeecaaa),ou que colocássemos a mão na boca após manipulá-las. Não podemos descuidar é da higiene na nossa alimentação, pois os cistos podem estar presentes na carne (malpassada),leite cru, verduras e legumes.

 

8 – Esporotricose

Micose causada pelo fungo Sporothrix schenckii, que se prolifera em locais quentes e úmidos, como terra e matas, ou com pouca higiene, como lixões, por exemplo. É mais comum em gatos. Se o peludo tiver algum ferimento e entrar em contato com o fungo, será contaminado e poderá transmiti-lo para outros animais ou para humanos (por meio de arranhões ou mordidas). Os sinais mais observados são as lesões ulceradas na pele, ou seja, feridas profundas, geralmente com pus, que não cicatrizam e costumam evoluir rapidamente. O bicho doente deve ser isolado e o dono deve usar luvas para tratá-lo.

Cães e gatos não são vilões que deixam os humanos doentes.  São vítimas, por vezes, de descuido e maus tratos e falta de informação das pessoas – isso nós podemos evitar.

 

Regina Ramoska e Claudia Pizzolatto

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