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Férias, até que enfim!

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Ah, como é gostoso viajar com os nossos pets! Observar as carinhas e reações deles diante de novidades como espaço à vontade para correr, riachos e lagoas para se refrescar e novos amigos não têm preço. Quer dizer, tem sim: um banho caprichado se o seu peludo decidir “experimentar” o perfume do cocô do cavalo ou da vaca. : )

Incluir seu melhor amigo nas férias é uma experiência incrível, mas antes de fazer as malas do bichão, pense bem no que você espera dos dias de descanso, e avalie se ele está preparado para a aventura. O primeiro passo é pesquisar a hospedagem. Hoje em dia – que bom! – hotéis e pousadas estão mais abertos a receber nossos amigões de quatro patas, desde que obedeçam às regras, claro. O site Aqui Pode lista várias opções, mas é importante consultar antes se o seu filhote de 45 quilos é bem-vindo, se poderá ficar no quarto ou apenas no canil, etc.

Pense, também, que lugares você pretende conhecer e se o bichão poderá acompanhá-lo. Muitos parques não permitem o acesso de animais domésticos, por um motivo simples: eles não devem se misturar aos animais silvestres, que não têm defesas naturais para diversas doenças. Além disso, nossos peludos são, invariavelmente, curiosos. É encrenca na certa! Certamente não será possível visitar as Cataratas do Iguaçu ou mergulhar em Copacabana acompanhado do seu cachorro, e confiná-lo em um quarto de hotel enquanto você se diverte não é uma boa ideia. A possibilidade de ele chorar, uivar e enlouquecer outros hóspedes que estão pagando o mesmo preço que você para ter paz e relaxar é grande. Sabe quanto custa um jogo de lençóis de algodão egípcio ou um colchão box de cama king? Talvez você descubra da pior forma possível se o pet for aprontão.

Gatos não costumam gostar de mudanças, nem de visitar paradas novas.  A menos que você pretenda passar um bom tempo fora, considere deixá-los em casa sob a guarda de alguém de confiança ou em um hotel. Mas se você quer mesmo viajar com o seu bichano, ou se ele demonstra a empolgação de um cachorro quando o quesito é passeio, mantenha-o seguro com um peitoral próprio para felinos (eles se contorcem e fogem facilmente dos peitorais comuns) e uma guia longa.  Confira com seu veterinário quais remédios de emergência ele pode usar – gatos são muito mais sensíveis e remédios humanos costumam ser mais tóxicos para eles do que para os cães.  Leve-o sempre em uma caixinha de transporte, útil também se você parar em um lugar que tenha cães soltos e hostis. Certifique-se, também, que o gato está bebendo bastante água e fazendo xixi e cocô normalmente.

 

Passaporte

Viajar para fora do país com os peludos ficou mais fácil com o “passaporte animal”, que traz informações como o endereço do dono, descrição do animal, nome, espécie, raça, data de nascimento, dados de vacinação e estado geral de saúde (fornecido pelo veterinário) e o número da identificação eletrônica (microchip) do seu amigão (a implantação é indispensável). O documento, emitido gratuitamente pelo Ministério da Agricultura, vale por toda a vida do animal, mas as informações sanitárias devem ser atualizadas a cada viagem. Nem todos os países aceitam o documento, e cada um tem exigências próprias, como quarentena, por exemplo. Pesquise com antecedência e não deixe a emissão para última hora.

As companhias aéreas também têm regras próprias. Nem todas aceitam animais braquicefálicos, como o Boxer, Pug, Buldogue etc., que apresentarem dificuldades de respiração devido às suas características anatômicas e fisiológicas. Acostume com antecedência o seu amigo a usar a caixa de transporte, para que ela se transforme num lugar acolhedor, e não num castigo. Converse com o veterinário sobre a necessidade de medicar o animal para que ele se agite menos durante o percurso.

 

Rumo às montanhas!

Como a proibição de cães nas praias, as montanhas são opções sedutoras. Preparado para a aventura? Hora de fazer as malas do bonitão! Ração e potinhos, brinquedos, cama, shampoo, toalhas e uma boa rasqueadeira são essenciais. Lembre-se de, dias antes de colocar a mochila nas costas, aplicar o antipulgas e o anticarrapaticida, e verifique com antecedência se há incidência de Leishmaniose na região – em caso afirmativo, converse com o seu veterinário sobre as precauções. Existem coleiras que ajudam na prevenção.

Mesmo com esses cuidados, convém fazer uma inspeção diária e cuidadosa, especialmente se o cão for peludo, para conferir se ele não pegou mesmo nenhum carrapato: os malditos transmitem babésia e erlichiose, doenças bastante graves. Leve a carteirinha de vacinação e a avaliação médica, dependendo do percurso, e busque com antecedência referências de veterinários na região – acredite, isto vai lhe dar tranquilidade em alguma emergência. Mas é o vet de confiança que vai sugerir a farmacinha básica, que pode incluir desde antitérmicos até antialérgico, entre outros medicamentos. Não vale medicar por conta própria!

É claro que o seu gato ou cão têm sempre a placa identificadora pendurada à coleira, mas é uma boa ideia providenciar outra, temporária, com o endereço ou telefone do local onde vocês estarão hospedados (pela Lei de Murphy, os celulares ficam sem sinal quando são mais necessários). Se não der, improvise com fita crepe e papel contact (só observe a resistência da “identificação provisória” em peludos mais aventureiros). Pode acontecer de o pet estranhar o local e tentar fugir.

A caixa de transporte é uma boa aliada em viagens de carro, e deve estar bem presa ao banco ou porta-malas, assim como a bagagem e todas as tralhas que a gente carrega quando sai por aí, para prevenir acidentes em caso de uma freada brusca. Cães mais acostumados a andar de carro podem ir presos ao cinto de segurança – isso é lei, inclusive, e rende multa em caso de descumprimento. O guarda não vai gostar nadinha de vê-lo debruçado para fora da janela, curtindo o vento na fuça. Além de também ser contra a lei, é perigoso para o animal – grãos de areia ou poeira e até insetos pequenos podem bater nos olhos do bichão, e o vento também não é legal para os sensíveis ouvidos dos nossos queridos.

Chegando ao destino, mantenha-o preso à guia até “mapear” o local, verificar as condições de segurança (outros animais soltos, por exemplo) e baixar a excitação do pet com tanta novidade. Acredite, ele vai pirar com tantos novos cheiros e lugares inéditos para desbravar!

Se o seu bichinho atende ao comando “vem”, e se o local para onde vocês vão permite animais soltos, aproveitem os novos ares, que revigoram a eles e a nós. Mas fique ligado: cães, em geral, tem boa noção de perigo, mas cabe a você colocar os limites para não ter estresse numa ocasião tão especial. Pode nadar? Claro! Mas longe da correnteza, de pedras pontiagudas, de queda de cachoeiras… Pode fazer trilha? Sim, mas não se esqueça de que pets são curiosos por natureza, e um encontro com um ouriço será totalmente desastroso. É bom lembrar que as “visitas” são vocês, e quanto menos interferirem no ecossistema, melhor. Observe, também, as outras pessoas que estão no local. Nem todos têm a mesma intimidade que nós com os amigões de quatro patas, e não será bacana que pulem nelas. Seu cachorro fez cocô no caminho? Recolha! Peludos fujões ou mais desobedientes podem aproveitar o passeio presos a uma guia longa.

Ofereça bastante água para o animal durante as trilhas, e não se preocupe se ele comer menos do que o habitual – tanta novidade pode diminuir o apetite do cachorro (que inveja!),que ao final do dia estará exausto e dormirá como um anjinho. Leve sempre a ração com a qual ele está habituado.

Antes dos bons sonhos, vale uma boa escovada para retirar eventuais carrapichos que possam estar presos ao pelo do cão. Uma boa tosa antes da viagem e um desembaraçador de pelos são uma mão na roda nesta hora!

Se vocês se hospedarem em hotel ou pousada, lembre-se que quanto mais “invisíveis” os peludos forem, mais bem recebidos serão.  Mas não estamos nos referindo àquele tipo de invisibilidade que rouba meio quilo de presunto da mesa do café e sai de fininho, sem que ninguém veja!  É importante que seu peludo não incomode os outros hóspedes latindo, pulando, rosnando ou detonando o jardim.

Com esses cuidados, a expedição de vocês certamente será um sucesso, e poderá ser repetida por muitas e muitas vezes. Boa viagem!

 

Regina Ramoska

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