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Medo de fogos: o tratamento começa agora

Medo de Fogos

Você já se deu conta que o ano praticamente acabou? Cá entre nós, estamos mesmo precisando de um novinho, com muita energia positiva. Mas nosso tema hoje não é a crise, ou melhor, é sim, mas não a política ou econômica: a proximidade da virada da folhinha é um drama para donos de animais que têm medo de fogos de artifício. Some-se o verão com suas tempestades e trovoadas e pronto, haja coração!

Se o seu animalzinho sofre muito com o medo de barulhos, saiba que existem algumas alternativas que dão ótimos resultados, mas você PRECISA COMEÇAR AGORA a colocar em prática o planos de tratamento para ter sucesso quando as festas finalmente chegarem.

Uma ferramenta que tem obtido uma taxa de mais de 80% de sucesso na redução do medo e a ansiedade e que não requer nenhuma medicação é a Thundershirt, uma espécie de camiseta que faz uma pressão constante e tranquilizadora no tórax do cão, propiciando a sensação de conforto, relaxamento e a percepção do próprio corpo e do posicionamento dele no espaço, o que lhe dá uma maior autoconfiança e sentimento de segurança. O ideal, no entanto, é que o animal (existem modelos para cães e gatos) se acostume com a Thundershirt ANTES dos episódios possivelmente traumáticos. A explicação é simples: se você vestir a camiseta no peludo pela primeira vez justamente quando os trovões ou fogos de artifício estiverem pipocando no céu, ele vai achar que a roupa é causadora daquela barulheira aterrorizante.

Existem vários níveis de ansiedade e medo e, às vezes, será preciso combinar mais de uma técnica ou tratamento para que o peludo fique realmente bem.  Converse com o seu veterinário sobre as opções de medicamentos e suplementos, inclusive com uso de homeopatia ou Florais. Um programa de dessensibilização adequado para o seu bichinho também ajuda, mas reforçamos: é preciso começar agora! Florais são eficientes, e recomendamos o Rescue SOS ou para medo nestes casos, mas precisam de tempo para começar a agir, de preferência um mês. Mas, afinal, de onde vem tanto medo? Por que um dos seus bichinhos se apavora e o outro não?

O MEDO É CAUSADO POR FATORES GENÉTICOS

Alguns cachorros são mais sensíveis do que outros com relação a sons e movimentos bruscos. Eles já nasceram assim, e na ninhada eles pareciam procurar sempre um cantinho quando alguém batia palmas ou dava um assobio forte perto deles. O filhote pode ter “puxado” um dos pais, que também era “medroso”, ou então esta pode ser uma característica individual do filhote. Quando o medo é genético, não há muita coisa que possamos fazer para ajudar o cachorrinho. O jeito é tentar a dessensibilização gradual (vamos falar mais adiante) e torcer para que ele supere seus medos da melhor maneira possível.

O MEDO É CAUSADO POR UM TRAUMA

Existem dois períodos na vida do filhote nos quais o trauma acontece com mais facilidade – isso quer dizer que experiências ruins tendem a se fixar na memória do filhote para o resto da vida. O primeiro período ocorre entre 8 e 11 semanas de vida, e o segundo do 6º ao 14º mês. O início e o fim de cada período, bem como a intensidade do trauma, vão depender de cada cachorro, mas quase todos passam por isso sem muitos sustos.

O MEDO É CAUSADO PELA FALTA DE EXPOSIÇÃO A SITUAÇÕES NOVAS

Tal como os bebês, os filhotinhos também aprendem a reagir de acordo com o ambiente em que vivem. Se um cachorrinho é trazido para uma família cheia de crianças, dificilmente irá se importar com a barulheira generalizada. Por outro lado, filhotes criados em casas praticamente silenciosas, onde todos falam baixinho com ele, onde os filhos (quando existem) já são crescidinhos e não fazem mais barulho, provavelmente vão estranhar horrivelmente se alguém berrar. Os cães criados em casas silenciosas tendem a ficar mais inseguros quando bombinhas estouram, quando a criançada bate uma pelada na frente da casa, ou quando o cunhadão gentilmente comunica que a festa do sobrinho de três anos vai ser na sua sala.

O MEDO É CAUSADO PELA ASSOCIAÇÃO DO BARULHO COM ALGUMA EXPERIÊNCIA DESAGRADÁVEL

Mesmo que o cachorro não esteja mais na fase de impressão do medo, se uma tábua de passar roupa cair em cima da patinha dele, causando dor e fazendo um barulhão danado, esteja certo que o bichão vai passar a ter pavor de sons altos e secos. Às vezes a associação é ainda mais sutil, por exemplo, se uma porta bater com o vento bem antes do cachorro levar um pisão. Diferente daquelas fases de medo do filhotinho, aqui os estímulos negativos precisam ser muito fortes para que o temor se torne permanente.

O MEDO É RECOMPENSADO CONSTANTEMENTE

Em todos os casos o mais comum, e o pior que se pode fazer, é recompensar o medo com carinhos e afagos. Toda vez que o cachorro apresenta sinais de medo e nós tentamos acalmá-lo com palavras suaves, com carinhos ou dando colinho, estamos passando a mensagem incorreta de que medo é bom, bonito, e que cachorro medroso ganha cafunés extras. Para o peludo não faz a menor diferença se o que você está falando para ele é “não se preocupe, meu lindinho, mamãe está aqui e nada vai acontecer. Calminha, calminha”, ou “batatinha quando nasce se esparrama pelo chão, corre corre cachorrinho, que lá vem bicho-papão”. O que vai dar sentido às suas palavras é o tom de voz que você emprega e o que você faz com o cachorro nessa hora. Tom de voz macio é carinho; carinho é recompensa; recompensa reforça o comportamento atual. Logo, cachorro com medo é lindinho!

O QUE FAZER?

Para evitar problemas, exponha o seu filhote com segurança. Faça festas em casa para ele. Convide os amigos e familiares, que gostem muito de cachorros, claro, para uma homenagem ao bebezão. Peça para todos tirarem os sapatos na porta, assim você diminui as chances do filhote, ainda sem vacinas, ficar doente (avise com antecedência que todo mundo que vai ter que tirar os sapatos. Evitam-se, assim, vexames com meias furadas e tênis fedorentos).

Tenha em mente que a festa é para o filhote, então ele pode ficar passeando pela sala. Escolha um horário tranquilo e faça a festa “rapidinha”. O importante é que o cachorrinho veja bastante gente simpática, que barulhos normais de festa sejam associados com coisas boas (carinhos e sorrisos),e que ele possa se divertir também sem ficar estressado. Com o consentimento do seu veterinário (que vai orientar se a região em que você mora é muito perigosa para a saúde do seu filhote),leve o pequeno peludo para passear de carro ou no colo. Deixe-o ouvir os sons da rua e converse com ele calmamente. A qualquer sinal de estresse por parte do pequeno, simplesmente volte para casa sem muito drama. Lembre-se, nada de tentar consolá-lo, apenas dê meia volta e tente novamente num horário mais calmo.

Se você não quer um cachorro que fique nervoso em situações novas, prepare-o principalmente para aquelas que provavelmente irão fazer parte da vida dele no futuro. Deixe os filhos do vizinho brincarem com ele, leve-o para a janela ou para a frente da casa se estiver acontecendo algo de “novo” na rua. Ligue os aparelhos domésticos com segurança, sem forçá-lo a ficar perto do secador de cabelo ou do aspirador de pó.

Evite situações em que o filhote pode ser traumatizado nos períodos mais sensíveis da vida dele. Tenha uma atitude positiva, não superproteja. Peça para as crianças (pequenas e adultas) não brincarem de dar sustos no filhote, especialmente nas fases de impressão do medo. Ah! E grite feliz ano nooovo de vez em quando, deixando claro para o cão que você está alegre 🙂

Para corrigir os problemas já existentes

Os métodos empregados para corrigir problemas de medo vão variar de cão para cão, de acordo com o grau de sensibilidade e medo do animal. Todos tomam tempo e exigem paciência. Alguns cães têm uma melhora sensível, outros menos, mas sempre vale a pena tentar, já que é pelo bem do peludo.

Motivação e mudança de comportamento

Este método consiste na mudança de comportamento da família para mudar o comportamento do cão. O negócio é fazer muita festa e procurar estimular o peludo a investigar a fonte do barulho, e não deixá-lo fugir ou tentar protegê-lo. Como daqui até o final do ano sempre vai ter alguém soltando fogos, coloque uma guia no cão e toda vez que isso acontecer – no final dos campeonatos de futebol, por exemplo – leve o bicho para janela ou para o quintal. Corra de um lado para o outro, junto com ele, fingindo que você está procurando o bicho barulhento (os fogos, no caso). Diga para o cachorro que o barulho vem de um bicho malvado que está soltando “pum” no território dele, se “o bicho” não funcionar diga que é o cachorro mau caráter do vizinho (ou seria o cachorro do vizinho mau caráter?),tanto faz, o importante é usar palavras estimulantes como: olha! Procura! Pega! Vamos ver! Quissi-Quissi! – qualquer coisa que deixe o seu cachorro excitado. Ao menor sinal de interesse (levantar as orelhas, por exemplo),aproveite para incentivá-lo dando tapinhas amorosos no dorso.

Continue encorajando o cão com “palavras de ordem”. Depois de alguns minutos de farra, especialmente se os fogos já tiverem parado, diga: “Muito bem amigão, colocamos ele pra correr!”, e volte para a sala, deixando o cachorro solto e livre para ir aonde ele quiser. Se ele se esconder, vá chamá-lo quando o jogo estiver meio paradão. Se o cão ficar deitadinho do seu lado, com aparente calma, pode enchê-lo de afagos, caso contrário NÃO TENTE PROTEGÊ-LO!!!!

Dessensibilização
Para os cachorrinhos que não se contentam com a “Motivação e Mudança de Comportamento”, é preciso um pouquinho mais de trabalho. Grave o maior tempo possível de sons de fogos de artifício ou trovões com o celular. Durante a semana, com a vida calma que Deus lhe deu, reproduza os sons, no volume próximo do mínimo.

Aproveite para usar a Thundershirt, a camisa calmante, e engajar seu cachorro na atividade que ele mais gosta. Jogue bolinha, brinque de esconde-esconde, dê pequenos pedaços de petiscos, o que for. A cada dia que passar aumente só um tiquinho de nada o volume e continue fazendo as brincadeiras com o seu cão, até você notar que ele está percebendo o barulho no celular – estamos falando de olhar de vez enquanto na direção do celular, e não de demonstrar medo. Mantenha este volume e continue praticando todos os dias, até o cachorro não prestar mais atenção no barulho.

Aí é hora de aumentar o volume só mais um pouquinho. Continue assim até conseguir fazer com que o seu cachorro não tenha mais medo dos barulhos, mesmo com o volume alto. Se durante o processo seu peludo ficar apavorado, volte o volume para o nível anterior. Em hipótese alguma tente acelerar o processo se o cachorro não estiver pronto para o próximo passo. Normalmente este método leva um bocado de tempo, mas uma vez atingido o objetivo o cão fica tranquilão para o resto da vida. Ah! Na virada do ano, deixe seu animal no cantinho mais silencioso da casa (ele vai te dizer que cantinho é este) ou tente usar o método da motivação, mas só se o seu cachorro não estiver entrando em pânico total. Use sempre a camisa calmante Thundershirt, e você verá melhoras significativas nas reações dele.

Deixe o cachorro ficar sozinho onde ele quiser

Se você não tem muita paciência para tentar recuperar o peludão, pelo menos não piore as coisas tentando consolá-lo. Permita que ele escolha um cantinho da casa e deixe o bicho em paz. Uma caminha recheada com roupas e paninhos com cheiros familiares, caixinha de transporte ou uma casinha são boas opções para o peludo se sentir mais protegido – elas devem ficar em um canto escuro, de preferência onde o cão possa ver você e a porta da sala ao mesmo tempo. Biscoitinhos e guloseimas só quando ele estiver relaxado.

Se TUDO falhar e o seu cachorro estiver apresentando sinais de estresse extremo, converse com o seu veterinário e veja a possibilidade de medicá-lo. Nunca faça isso sem ajuda profissional: muitos calmantes têm efeito inverso, deixando o cachorro ainda mais agitado. Tudo o que você e o seu cachorro não precisam é de uma visita de emergência ao veterinário em plena virada de ano.

Cláudia Pizzolatto

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3 Comentários em "Medo de fogos: o tratamento começa agora"

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Andréa Oliveira
2 anos 1 mês atrás

Olá, tenho uma Rottweiler de 49 kg, a Kyra. Ela está com 5 anos e a mais ou menos 3 anos tem apresentado pavor de fogos, trovões até de chuva. Qual o floral mais indicado e dose. Por gentileza!!!! Obrigada Andrea

BitCão
2 anos 1 mês atrás

Olá Andrea, se pela descrição de cada um você não identificou qual o mais apropriado para ela, o ideal seria ter a opinião do seu veterinário.

Teresa Rivero
3 anos 3 meses atrás

Minha cachorrinha veio do Chile comigo para o Brasil com 10 anos e nunca teve medo de fogos!Creio que estava acostumada com os terremotos…rs No reveillon de 2010 foi o unico cao nos fogos de Copacabana!Ficou na areia no meio das minhas pernas por medo que alguem a pisasse,levei agua e voltamos caminhando para o hotel.E todo mundo apontando espantado…

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