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Mosquitos: perigo para os humanos, perigo para os peludos

dirofilariose, leishmaniose

O Aedes aegypti, transmissor da Dengue, Zika vírus e Chikungunya, passou a ser ainda mais temido  por conta da notícia que também é vetor da Dirofilaria immitis, que acarreta a Dirofilariose, popularmente conhecida como verme do coração. Para que isso não ocorra, acabe com qualquer possível foco: o mosquito se reproduz  em água parada, por exemplo nas vasilhas dos nossos bichinhos, que devem ser lavadas com esponja e sabão diariamente.

Mas, afinal, cães e gatos podem ser infectados pela Dengue, Zika vírus e Chicungunya? Assim como na medicina humana, ainda não existem muitas informações sobre o assunto e nem mesmo se sabe se há mutações no vírus: as pesquisas estão em andamento. O ideal, neste momento, é evitar a proliferação do Aedes aegypti de todas as formas, bem como a de outros insetos e mosquitos: infelizmente nossos amigos de quatro patas estão sujeitos a uma série de doenças – algumas bem graves – transmitidas por essas pragas.

A dirofilariose também é transmitida pelo mosquito Culex sp (o pernilongo comum) contaminado pelo parasita dirofilária. Quando ele pica, libera larvas na corrente sanguínea, que se alojam no ventrículo direito, na artéria pulmonar e na veia cava, reduzindo a função cardíaca, causando dificuldades respiratórias e uma tosse crônica. A doença, que pode ser detectada por exame de sangue e tem tratamento (embora muito delicado e com um certo risco para o cão),principalmente nos estágios iniciais, pode ser prevenida por meio de medicamentos e antipulgas de última geração.

– Outra doença bastante temida é a leishmaniose, transmitida por flebótomos, insetos minúsculos que causam um estrago danado. Eles se reproduzem em matas úmidas e locais com matéria orgânica, como terrenos baldios e depósitos de lixos, e ao picarem um cão infetado, recolhem os parasitas que se multiplicam em seus estômagos e que contaminarão outros cães e humanos. Apesar dos flebótomos serem os vetores da doença, em diversos locais a recomendação ainda é a eutanásia dos peludos, entendendo-se serem eles reservatórios da doença. Ainda não existe cura para a leishmaniose, mas há tratamento para reverter os sintomas: emagrecimento progressivo, aumento do baço e fígado, crescimento exagerado das unhas e ferimentos na pele que não cicatrizam. A prevenção pode ser feita por meio de coleiras e produtos repelentes.

A doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi, também pode acometer os cães. O protozoário é transmitido pelo triatomídeo (mosquito conhecido por barbeiro) que ao picar o peludo para se alimentar defeca, contaminando o local da picada.

– Outro inseto do mal é a mosca. A varejeira (Cochliomyia hominivorax) causa bicheira ou miíase ao depositar suas larvas em ferimentos expostos, que literalmente “comem” a pele e os tecidos subcutâneos e musculares do animal, e enquanto não viram moscas, vão aumentando o tamanho da ferida. É uma doença dolorosa e, muitas vezes, a amputação do membro afetado é inevitável. Existem bandanas, sprays e coleiras que ajudam a evitar que as moscas pousem nos peludos, e é importante ficar de olho em qualquer machucado, até nos menorzinhos.

– Já a berne, muitas vezes confundida com bicheira, é causada por larvas de moscas da espécie Dermatobia hominis, que podem contaminar a pele de qualquer animal, até se não houver ferimento. Com o passar dos dias surge um nódulo com um buraquinho – às vezes não é possível ver a larva, apenas as secreções. Espremer não é a solução: peça ajuda ao veterinário. Em alguns casos o animal precisa até ser sedado para a realização do procedimento.

A melhor prevenção para essas duas doenças é a higiene. Recolha sempre as fezes e limpe bem o “banheiro” do peludão. Medicamentos antipulgas em comprimidos têm ótimo resultado, além de serem úteis para matar as larvas nos casos de infestações.

Fique atento!

* Dirofilariose, conhecida como verme do coração, é causada pelo dirofilária, parasita transmitido pelos mosquitos Culex spAedes aegypti e ocorre principalmente em áreas litorâneas.

* Transmitida por flebótomos, a leishmaniose também pode infectar humanos. Ainda não tem cura, mas é possível reverter os sintomas. A limpeza de terrenos onde há lixo e material orgânico ajuda a evitar a propagação do inseto.

* As moscas varejeiras depositam ovos em ferimentos na pele. As larvas comem tecidos e carne, podendo comprometer em demasia a saúde do animal.

* A berne é causada pelas larvas da mosca Dermatobia hominis, que se alojam na pele dos animais, ainda que não existam ferimentos, causando dor e irritação. A higiene é a melhor prevenção (isso vale também para a bicheira),além de repelentes.

 

Previna-se

* Lave as vasilhas de água com sabão diariamente, esfregando bem as bordas, lugar preferido dos mosquitos para desova – melhor ainda se as vasilhas não tiverem bordas.

* Cuidado com os ralos: mantenha-os fechados ou lave todos os dias.

* Prefira caminhas e panos de cor clara – os mosquitos gostam mais das escuras – e acomode seu amigão em local ventilado para dificultar que as pragas pousem e botem ovos.

* Mata-mosquitos elétrico ajuda a eliminar as pragas, mas cuidado para o cachorro não se queimar.

* Aparelhos ultrassônicos não devem ser usados: o som, imperceptível para os nossos ouvidos, incomoda não só os mosquitos, mas os nossos peludos.

* Consulte o veterinário sobre repelentes que não prejudiquem o animal.

 

Cláudia Pizzolatto e Regina Ramoska

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1 Comentário em "Mosquitos: perigo para os humanos, perigo para os peludos"

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10 meses 20 dias atrás

Matéria muito boa esclarecedora..! Parabéns

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