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Não seja chefe, mas líder

Não seja chefe, mas líder

Há algumas décadas, pesquisadores concluíram que os donos tinham de ser “chefes de matilha”, agindo com seus cães como lobos liderando sua alcateia. Deveriam, portanto, sinalizar claramente quem mandava no pedaço, jamais permitindo que os animais caminhassem à sua frente no passeio ou subissem na cama ou sofá sem autorização (“é meu território! ”). Deveriam, também, se alimentar primeiro e até “forçar a mão” para submeter o animal, derrubando-o no chão ao menor sinal de agressividade ou indisciplina. Essas regras, apoiadas supostamente no modus operandi das matilhas de lobos, vêm sendo questionadas por pesquisadores como David Mech, que estuda o comportamento destes animais. De acordo com o biólogo, tais teorias advêm da observação de lobos em cativeiro, ou seja, foram criadas a partir de um olhar restrito, já que na natureza tudo é bem diferente. E, apesar da semelhança genética, os comportamentos são distintos. Os cães se chegaram nas aldeias dos nossos ancestrais em busca de alimentos, sendo então domesticados, enquanto os lobos criavam estratégias de caça para sobreviver. Seguindo essa linha de raciocínio, não há necessidade do dono se portar como o “lobo alfa”, já que a mente do cão não funciona dessa forma.

As novas teorias apostam na liderança e no estímulo positivo, ou seja, o cão aprende que ao sentar ganha seu brinquedo favorito ou o alimento, e põe por terra a teoria da dominância, assegurando que o cachorro não tem a intenção de ser o chefe da casa quando desobedece ou é teimoso (cá entre nós, os peludos sabem das coisas: para que disputar espaço com o “chefe” que tem que trabalhar um bocado para garantir o sustento quando se pode brincar ou dormir o dia todo?). A liderança, por sinal, é a palavra de ordem no século XXI – já está mais do que provado que líderes têm respeito e seguidores, enquanto chefes ditatoriais que metem medo nos seus subordinados estão com os dias contados. Sim, nossos peludos sabem das coisas!

 

Seu cachorro não é dominante

Para os estudiosos, a dominância não é um traço de personalidade, ou seja, não existe um cão dominante em relação ao dono: ela só se dá na relação de seres da mesma espécie e, ainda assim, na base da negociação. Um cão pode ser o primeiro a escolher os brinquedos, mas permite que outro decida onde quer repousar (definitivamente temos muito o que aprender com eles). Recursos usados por muitos donos e treinadores para se colocar como alfa da matilha, como deitar o cão no chão segurando sua cabeça ou pegá-lo pelo cangote, são duramente criticados pelos pesquisadores, que afirmam que atos como esses podem fazer com que o cão passe a ter medo do dono e reaja mordendo – a agressão, normalmente associada à insegurança ou medo, é a maneira que um cachorro assustado encontra para se proteger. Quando o dono tenta imitar o lobo alfa do cativeiro valendo-se desse tipo de “correção”, o cão não o vê como líder, mas alguém perigoso que se deve evitar ou combater.

Ainda de acordo com essas novas pesquisas, cabe ao dono ensinar ao cachorro o comportamento esperado, recompensando cada acerto e apontando o que não é apropriado de forma construtiva para não desencadear ou aumentar a ansiedade do animal. A filosofia do “nada na vida é grátis”, ou seja, para conseguir o que quer – o brinquedo, petisco, carinho – o peludo tem de sentar, deitar etc. – é mais eficaz que os demais métodos, segundo os estudiosos.

A teoria de que cães que dormem na cama, passam à frente nas portas, sobem no sofá ou se alimentam antes ou nos mesmos horários que os donos são “líderes de matilha” também é questionada, uma vez que não existe comprovação científica sobre isso. Os comportamentalistas afirmam que as regras estabelecidas pelo dono devem ser aplicadas com suavidade, e que é possível, sim, haver uma relação harmônica com o peludo ainda que ele ocupe mais da metade da cama e solte gases a noite toda (bem, isso não foi estudado ainda, hehe).

Os estudos continuam e cada vez mais aprendemos sobre o universo dos nossos melhores amigos – vale a pena acompanhar!

 

Mitos de comportamento

  • Seu cão late para você para dizer que está no comando

São inúmeros os motivos que levam o cachorro a latir excessivamente, como o tédio, medo e ansiedade. Muitos donos reforçam esse comportamento repreendendo ou dando atenção ao peludo neste momento. O ideal é treinar o cão para latir e ficar quieto no comando. Se o problema é tédio, mais exercício, interação e brinquedos podem ajudar. Cães que latem por medo ou ansiedade precisam ser dessensibilizados.

  • Seu cão urina pela casa para marcar território

É uma tendência entre cães não castrados, mas que pode ser resolvida com treinamento ou passeios na rua com mais frequência. Lembre-se de premiar os acertos!

  • Seu cão rouba comida

Se ele rouba, é porque está “à pata”! Seu cão não quer ser chefe de matilha comendo antes de você, mas muitos gostariam de ser chefs de cozinha, degustando tudo o que veem pela frente. Não dê comida para o peludo à mesa, ensine-o a não pular e evite deixar a picanha facinha.

  • Seu cão pula nas pessoas para mostrar que é ele quem manda

Cães pulam nas pessoas por instinto e porque não aprenderam que é um comportamento inadequado. Ensine-o a não fazer isso, mandando-o sentar quando você entra em casa e recompensando-o por isso.

  • Cães montam em outros cães ou pessoas para mostrar que são dominantes

Cães montam nos outros para aliviar o estresse, brincar ou estabelecer status. Se ele faz isso com você ou outras pessoas, tire-o, fale “não” e dê um comando como sentar, premiando os acertos.

 

Fonte: https://apdt.com/pet-owners/choosing-a-trainer/dominance/

 

Claudia Pizzolatto e Regina Ramoska

Este artigo tem seus direitos autorais protegidos por lei. É permitida a sua reprodução sem alterações desde que sejam colocados o nome das autoras e o link para a webpage da BitCão.

 

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