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O pulo do cachorro

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Cena 1.

Ipanema, segunda-feira, 17h15. Após um longo dia de tédio, os vira-latas Cão e Guru aguardam ansiosamente a chegada do seu dono, sr. Confuso.

– Caaaaaraaa, tá quase na hora! Que alegria! Que alegria!

– Mano, vai devagar, não pula, te lembra o esfrega que levou na última vez?

– Esfrega? Não! Quando? Eu não pulo, eu abraço! Ele adora!  Faz festa! Cafuné!

– Tu derrubou a bandeja de ovos quando ele entrou em casa, esqueceu? Tomou bronca, ficou de castigo e sem biscoito.

– É??? Lembro não!! Psiuuu, escuta, escuta, acho que é ele mesmo, subindo de elevador.

– Para de bater esse rabo na minha cara.

– Aiiiii, meu coração tá saltitando! Oi! Oi! Oiiiii dono amado!

Cataploft.

– %$¨&¨$!!!! Humpt! Cachorro feio!! Argrrrrttttt, minhas garrafas de vinho francês! Todas quebradas! Vai deitar já! Está de castigo! Guru, você também!

– Mas eu não fiz nada… foi o Cão que começou!

 

Cena 2.

– Te falei que ia dar rolo, Cão. Agora estamos aqui de castigo, nem poderemos navegar no site da BitCão.

– Mas eu não entendo, não entendo, Guru!! Ontem mesmo ele me abraçou tanto quando eu o recebi com pulos. Por quê, por quê, por quê???

– Porque pelo visto não é todo dia que pode, mané. Ou não pode no dia do supermercado.

– E cumé que eu vou saber? Se ainda eu alcançasse o olho mágico pra ver se ele está ou não com a bandeja de ovos ou a garrafa de vinho na mão…

 

Cena 3.

– Tá na hora, Guru, tá na hora! Ele vem vindo!

– Para de pular em mim, seu animal.

– Quero alcançar o olho mágico!

– Se eu ficar sem biscoito de novo por sua causa vamos ter uma conversa de cachorro pra cachorro, Cão.

– Psittt, tô ouvindo os passos!! Ele vai abrir a porta!

– Aêêêê meu parça, cachorro bonito, vem cá dar um abraço no papai!! Como foi o dia? Chega aí, Guru! Estavam com saudades?

O ato de pular, buscando inclusive alcançar o rosto do dono, pode vir de hábitos ancestrais, quando não havia alimento disponível em abundância e os filhotes tinham de alcançar a boca da mãe e lambê-la até que ela regurgitasse um pouco de comida (perdão se você está lendo esta mensagem na hora do almoço). Mas, na verdade, o que tem um peso considerável é a alegria e a excitação de rever o dono ou uma pessoa querida. A calorosa recepção com duas patas no peito significa, em linhas gerais, que o cachorro está muito feliz.

O problema, porém, é a confusão que se estabelece na cabeça do peludo quando a regra não é clara: ele só pode pular no dono aos sábados e domingos, mas não de segunda à sexta-feira, para não sujar a roupa de trabalho. Outra situação bastante comum é quando o bicho pode pular no dono, mas não na dona. Ou seja, a culpa não é do cachorro, mas do dono que confunde a cabeça do coitado do patudo. Bem, mas e aí, como faz?

 

  • Regras sem exceções:

É uma pena, mas a maioria dos cachorros não têm o hábito de consultar o calendário para saber se é dia de pular. As regras devem ser claras e valer de segunda a segunda – pode ou não pode – para que o bicho não se confunda como o Cão do Sr. Confuso. Isso é particularmente importante até os 8 meses de idade, período em que o cachorro está fixando os hábitos.

 

  • Antecipe problemas futuros:

Se você não quer que o cachorro pule em você, deixe claro desde o começo. Muitos donos incentivam esse tipo de comportamento nos filhotinhos e depois penam para mudar o hábito. Lembre-se que os bebês crescem, e o que é engraçadinho num peludo de 5 kg pode se tornar perigoso quando ele chegar aos 50 kg.

 

  • Valorize o comportamento desejado:

A excitação do peludo com a sua chegada é inevitável, tenha você ficado fora por cinco minutos ou um mês, e certamente ele vai pular para caramba. Ao entrar em casa, ignore-o, não faça contato visual, nem muita festa, até que ele se acalme. Depois que as quatro patas estiverem firmemente no chão, é hora de fazer aquele cafuné bem gostoso.

 

  • Pratique comandos de obediência:

O comando senta-fica também é bastante eficaz. Peça que alguém mantenha o cão sentado e na guia. Entre e saia diversas vezes, até que ele entenda a dinâmica, e só quando ele permanecer sentado e calmo elogie bastante.

 

  • Se for necessário aplique uma pequena correção:

Se, apesar de tudo, o cachorro insistir em pular, experimente criar uma barreira entre vocês, levantando o joelho e associando o comando “Não pula” em tom firme – tome cuidado para não machucar o cachorro! Quando o saltador em questão é muito pequeno, ignore-o em princípio, e se não funcionar, segure os dedinhos – coisa que os cães não gostam – enquanto as patas estiverem tocando você. A tendência é que eles as retirem, e nesse momento elogie bastante seu amiguinho.

 

O seu peludo não vai parar de pular de uma hora para outra, ainda mais se o hábito for antigo. É preciso ter um bocado de paciência e persistência, mas vale a pena: até o sr. Confuso conseguiu, e agora Cão e Guru não ficam mais de castigo e podem escolher seus brinquedos e biscoitos favoritos no site da BitCão.

Bem, se o seu cão não pula, mas faz xixi e cocô fora do lugar, ou se ele pula e ainda por cima erra o banheiro, leia o primeiro texto da série “De quem é a culpa?”.

 

Regina Ramoska

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2 comentários em “O pulo do cachorro”

  1. Elvys disse:

    O meu problema com a minha Boxer, é complicado de corrigir. Ela não pula pra mim e ninguém de casa, mas quando vê alguém na rua ela pula(não são todos)! Como faço nesse caso que não consigo prever quando ela vai pular e quando não vai?…! Acho que isso é da raça Boxer…

  2. Penha Cipriano disse:

    Adorei a matéria! Tenho 2 cães, um que pula e fica aconchegado e o outro que fica latindo quando chego. É parada dura, kkkkkkkk. Felicidade expressa de formas diferentes.
    O meu namorado tem uma cadelinha, essa sim uma verdadeira saltadora. Ela pula e lambe a gente todinha, um barato.
    Vou aplicar os exercícios!