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Planeje-se para uma possível emergência

Era sábado, dia de descansar, levar a matilha para se esbaldar no parque, encontrar os amigos. Mas o casal acordou cedo, bem antes do planejado, com um cheiro insuportável. Sim, foi o odor que os tirou da cama. A caçula da família, de três meses, estava com uma diarreia brava. Levantaram e viram que havia vômitos pelo quarto. Enquanto se preparavam rapidamente para levá-la ao veterinário, perceberam que duas plantas do quintal estavam mastigadas – incluindo uma espada-de-são-jorge. Informaram ao doutor, que medicou e pediu que a mantivessem em observação.

No domingo a pequena filhota estava apática, sonolenta, mais enjoada ainda. Nem água parava no estômago. O cocô mole, mole. A clínica do vet oficial não tem estrutura para internação, e o doutor indicou, então, um local de sua confiança, porém ela foi recusada – por ser filhote, poderia estar com alguma doença viral, e não tinham condições de isolá-la. A dona ficou encasquetada – na verdade, ela e o vet já achavam que talvez a espada-de-são-jorge não fosse o motivo do perrengue. Inclusive porque, a essa altura do campeonato, o casal já tinha até peneirado o cocô da cachorra para ver se encontrava algo. Os profissionais deste local indicaram um hospital veterinário famoso, que os proprietários só conheciam de nome. Não tinham nenhuma referência negativa, nada que desabonasse.

Foram atendidos rapidamente, e a dona, cuja profissão passa a léguas da área de saúde, seguiu a intuição: “Quero descartar cinomose e parvovirose”, pediu à veterinária do tal hospital, que garantiu que isso seria feito, pois fazia parte do “kit pediátrico” necessário a qualquer filhote. Iniciou a hidratação com soro, deu remédio para vômito, tirou sangue para os exames. Foi taxativa quanto à necessidade de indicava internação. Diante da prostração da cachorrinha, não discutiram. Os donos acompanharam a pequena à baia onde passaria a noite, ao lado de outros tantos animais. Assinaram inúmeros papéis, pagaram uma conta astronômica já de cara e foram para casa, arrasados.

No dia seguinte estavam lá às 10 horas da manhã para a visita. Nada havia mudado no quadro da cachorra, que sequer abanou o rabo ao vê-los. Mais de doze horas haviam se passado e não havia resultado de nenhum exame, embora a pequena estivesse internada em um grande hospital veterinário com laboratório. Continuava tomando soro, remédio para enjoo… E só. A duração da visita foi de exatos cinco minutos – afinal, o hospital tinha outros (muitos!) animais para monitorar, e havia apenas UM veterinário responsável pelos pacientes internados.

A dona ficou extremamente incomodada, mas a veterinária que a atendeu (e que não era a mesma da noite anterior) garantiu que os resultados dos exames sairiam à tarde e que ela seria comunicada. E que, claro, poderia ligar para saber. Ela ligou. Ligou. Ligou. Deixou recados, implorou, pediu para o vet oficial da pequeninha tentar contato e nada. Era quase noite quando recebeu o tão esperado retorno. O veterinário do hospital (o terceiro profissional com quem ela tinha contato) foi lendo os resultados, como se estivesse falando de colega para colega, sem pareceres concretos, afirmando seguidamente que a filhota não tinha cinomose. A dona continuava cismada. Perguntou sobre o resultado do exame de parvovirose, e o doutor se justificou dizendo que não havia sido feito porque a cachorra não havia defecado. As fezes poderiam ter sido colhidas por meio de uma sonda, só que o corpo clínico não teve esta iniciativa. A cachorra não tinha mais quadro de vômitos, porém não queria comer. A dona perguntou se não haviam tentado a alimentação via sonda nasogástrica. Não.

Em segundos, a proprietária da peludinha passou de fragilizada a irada. Jornalista que é, acionou seus 5.678.987 contatos e logo teve a indicação de outra clínica. Foi lá, conversou com a veterinária, explicou o caso e correu para o tal hospital veterinário famosão para resgatar sua filha caçula. Teve de bater muita boca até conseguir liberar a peluda – afinal, havia muitos animais em atendimentos, e só um profissional para acompanhar. Ao checar a conta, observou que eles haviam cobrado – e muito – por um exame que não havia sido realizado: o da parvovirose.

Já era madrugada quando chegaram à outra clínica, com uma infraestrutura porreta, inclusive UTI, e uma veterinária para lá de preparada. Ela, o marido e a cachorrinha foram acolhidos, tratados com respeito e carinho e, principalmente, com profissionalismo. No dia seguinte veio o diagnóstico, aquele que a intuição da dona já anunciava: parvovirose. Com o atendimento correto, em dois dias a pequena estava tentando arrancar o soro e aloprando a equipe médica. Teve alta para continuar o tratamento em casa, e hoje está em plena forma, destruindo os brinquedos e se divertindo com seus dois irmãos patutos.

Nós contamos esta loooonga história para alertar você, que é louco pelos seus bichos, sobre a importância de conhecer (e bem) hospitais ou clínicas que possam atender seu peludo em uma emergência. Temos uma tendência a não pensar que isso venha a acontecer, como se a simples visita a um local que nos dê suporte numa hora complicada seja prenúncio de mau agouro. Acredite: é importante e necessário. Gastar um tempinho conhecendo hospitais e clínicas que funcionam dia e noite, de preferência perto de casa, evitam que na “hora h” a gente saia correndo sem rumo e acabe entrando numa roubada, pondo em risco a vida dos nossos bichos.

Se a peludinha não tivesse uma dona “desconfiada” (e louca, irada, etc.),que questionou os procedimentos, falta de exames e de alimentação, certamente teria morrido no tal grande hospital veterinário, pois parvovirose é uma doença séria e muitas vezes fatal em filhotes que não receberam todas as vacinas, como a protagonista desta história. O tal hospital de grande só tinha as instalações: havia apenas um veterinário para 13 animais internados, os profissionais se mostraram despreparados e a impressão final é a instituição queria ganhar dinheiro com as diárias (equivalentes a um resort de alto luxo),postergando o atendimento correto ao animal. Além do mais, não deram conta de uma demanda óbvia: dar respaldo ao proprietário numa hora em que ele está absolutamente fragilizado.

Hospitais e clínicas bem preparados – como o segundo local onde a cadelinha foi internada – sabem da importância da presença do dono para a recuperação do animal, e por terem uma conduta ética e realizarem os procedimentos corretos, não tem o que esconder: por isso dão notícias por telefone e não impedem as visitas.

Para o bem do seu peludo, tenha em mão (e no celular, na geladeira…) todas as opções confiáveis para atendimento urgente, pois a brevidade pode significar salvar (ou não) a vida do animal. Peça recomendações ao seu veterinário de confiança e aos amigos e visite pessoalmente o local: confira se há estrutura para realização de exames com rapidez, se o local onde os doentinhos ficam é limpinho e confortável, dê uma olhada nos preços (se você não é amigo do gerente do banco, tente fazer uma poupança para essas situações!). Converse com os profissionais, ouça histórias e “sinta” o ambiente. E, acima de tudo, esteja atento ao seu coração e à sua intuição. Se você se sentir tranquilo e confiante, tenha certeza de que é este o local para onde você deve correr numa emergência – que a gente torce para que nunca aconteça!

Por Regina Ramoska

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2 Comentários em "Planeje-se para uma possível emergência"

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patricia
3 anos 2 meses atrás

Gostaria de indicações de hospitais veterinarios de emergencia no rio de janeiro e que sejam bons.

Agradeço a atenção e aguardo resposta
Patricia

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