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Quando a luz dos olhos meus e a luz dos olhos seus resolvem se encontrar….

Muitos comportamentos “estranhos” em nossos peludos podem surgir por conta da diminuição da visão. O bichinho pode ficar agressivo porque se assusta quando não enxerga direito, evita sair de casa quando antes adorava um passeio, fica assustado à toa e não quer mais subir ou descer escadas, por exemplo.

No meio de tantas coisas que temos que ter atenção em relação aos nossos filhos de quatro patas, muitas vezes esquecemos de olhar nos olhos deles, literalmente, para ver se está tudo ok. Algumas doenças que resultam na perda total ou parcial da visão são genéticas e características de determinadas raças. Outras causas da perda da visão podem ser por traumas, infecções ou mesmo por conta da idade avançada.

O que podemos fazer para evitar que nossos peludinhos fiquem cegos? É possível curar ou diminuir a perda da visão quando já existe um comprometimento?

A resposta mais correta para essas dúvidas é que é preciso fazer uma consulta com um veterinário especialista em olhos, pois só ele conseguirá avaliar as causas e o estágio do problema, mas algumas informações gerais podem ajudar você a reconhecer os primeiros sinais de que algo não está bem com os olhinhos mais lindos do mundo.

Procure a ajuda do veterinário o mais rápido possível se o seu peludo:

  • Estiver sempre com um olho mais fechado que o outro;
  • Um ou os dois olhos estiverem vermelhos;
  • Um ou os dois olhos estiverem com muita secreção ou “remela”;
  • Teve mudança na cor dos olhos;
  • Fecha os olhos e mantém assim quando tem claridade;
  • Um ou os dois olhos parecem esbranquiçados ou embaçados;
  • Fica passando a pata ou tentando coçar os olhos frequentemente;
  • A terceira pálpebra (dos gatinhos) está sempre fechada;
  • Mudou de comportamento e parece desorientado;
  • Não quer passear, nem interagir com as pessoas;
  • Não brinca mais e está apático, especialmente em brincadeiras que solicitam a visão de objetos;
  • Demonstra dificuldades para enxergar a noite;
  • Não reconhece as pessoas da família de longe;
  • Esbarra nos móveis da casa.

Como falamos anteriormente, algumas raças de cães e gatinhos são mais propensas a desenvolver doenças oculares, seja de origem genética, congênita ou por causa da facilidade de sofrer traumas pela exposição excessiva dos olhos, como Pugs, Lhasas e Shit-Zus. Raças como Shar-Pei, Rottweiler e Buldogue, além dos gatos Persa, podem nascer com a borda das pálpebras ligeiramente viradas para dentro, fazendo com que os cílios fiquem em contato com a córnea e causem lesões. A Atrofia Progressiva de Retina é o nome de um grupo de doenças oculares hereditárias que afetam mais de 100 raças diferentes, que podem levar a cegueira. Não há cura para a atrofia Progressiva de Retina e a forma de evitá-la é fazendo o controle dos cães e gatos que são usados para procriar e retirá-los do plantel para que não transmitam essa doença para os futuros filhotes. As raças mais afetadas são Border Collie, Labrador, Dachshund, Schnauzer, Poodle e Golden Retriever. Entre as raças felinas estão o Abissínio, Persa e Siamês, embora qualquer cão ou gato possa vir a apresentar a doença.

Outra condição comum que precisa de atenção e cirurgia para ser corrigida é o prolapso da glândula da terceira pálpebra, popularmente chamada de Olho de Cereja. É fácil reconhecer, pois apresenta uma bolinha bem vermelha no canto interno do olho. Embora não costume evoluir de forma grave, ela causa dor, desconforto e muita secreção.

Outros problemas oculares que podem causar cegueira são:

Conjuntivite – A inflamação da conjuntiva pode ocorrer por causa de alergias, infecção ou irritação por causa do olho seco.  A forma infecciosa é mais rara em cães, mas frequente em gatos.

Ceratoconjuntivite seca (olho seco) – Uma enfermidade considerada grave, pode se tornar crônica e levar à cegueira. Basicamente ela se dá pela perda da quantidade e qualidade da lágrima deixando o olho sujeito ao ressecamento da córnea e da conjuntiva. Sua causa pode ser desconhecida, mas traumas, infecções, efeitos colaterais de medicamentos, inflamação da glândula lacrimal e genética também podem ser os causadores desta doença.

A lágrima é mais do que um simples lubrificante do olho.  Ela é responsável pela remoção de sujeiras que podem arranhar a córnea, levar oxigênio para a mesma, além de ter ação antimicrobiana.

Uveite – Pode acontecer por causa de trauma, bactéria, vírus ou naturalmente. Uma das causas mais comuns de problemas oculares em gatos, tem um grande percentual de perda de visão parcial ou total se não for tratada imediatamente.

Doenças do carrapato – Doenças causadas por hemoparasitas como a erliquiose podem causar uveite e evoluir para cegueira além de outras complicações graves.

Glaucoma – Essa é uma doença grave causada pelo aumento da pressão ocular. Além de ser dolorosa para o animalzinho, se não tratada rapidamente, leva à cegueira.

Catarata – Muito comum em animaizinhos idosos, ela também pode ser causada por traumas, diabetes ou por causas congênitas em filhotes e cães jovens.

Dizem que o olho é a porta da alma e do coração. Sem dúvida é um órgão que traz muita informação do ambiente que nos cerca. Nossos filhotes peludos se adaptam bem sem a visão, mas não é por isso que devemos desconsiderar os cuidados com a saúde dos olhos. O importante é estarmos atentos e, ao menor sinal de desconforto ou de mudança no comportamento normal do peludo, ir no veterinário para uma consulta geral. O atendimento logo no início pode evitar a necessidade de uma cirurgia, ou que o peludo fique cego. Amar é cuidar e não há nada como olhar nos olhinhos brilhantes de nossos bichinhos e ver todo amor e admiração que eles nos oferecem.

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