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Raças > Beagle

História e Características Gerais da Raça 

“Olha mamãe, ele está pedindo para ir para casa com a gente!” Se esta criança não estiver falando de um daqueles adoráveis vira-latas, só pode ser de um Beagle. Ninguém sabe fazer uma carinha mais suplicante, mais desprotegida, mais meiga e mais irresistível do que um Beagle. Filhotes de Beagle são mundialmente reconhecidos como uma das criaturas mais lindinhas que Deus já colocou na Terra.

A Inglaterra é considerado o berço do Beagle moderno, mas existem várias teorias sobre sua origem.
Cães semelhantes aos Beagles são descritos em documentos que datam de 400 A.C. na Grécia, de 200 D.C. na Grã Bretanha. Também é dito que os romanos teriam trazido para a Inglaterra pequenos cães que caçavam coelhos e que estes cães, cruzados com os hounds locais, seriam um dos ancestrais do Beagle.

Willian “O Conquistador” teria contribuído com a introdução de um tipo de hound branco, e um tanto maior do que os hounds atuais, chamado de Talbots. Trazidos da França em 1066, segundo alguns historiadores eles foram usados para definir o padrão dos Beagles e dos Foxhounds de hoje.

Os Beagles já tiveram diversos nomes. Até onde se pode encontrar em documentos eles já eram chamados de Beagle por volta de 1475 num trabalho de Walter Willian Skeat. Até na lenda do Rei Arthur existem menções aos Beagles, que naquela época eram chamados de Bracch, ou também de Kennett.

A monarquia Inglesa sempre foi reconhecida por sua paixão por cães, especialmente os de caça, e evidentemente os Beagles eram um destes cães. Alguns dos amantes “monárquicos” da raça foram o Rei Eduardo II, o Rei Henrique VII e a Rainha Elizabeth I, cujo entusiasmo pelo Beagle de bolso (menor do que 23 cm de altura) ficou conhecido mundialmente.

No século 18 os cães de caça de coelhos praticamente desapareceram da Inglaterra, enquanto que os que caçavam raposas cresciam em popularidade. Alguns fazendeiros da Inglaterra, País de Gales e Irlanda, acabaram salvando a raça mantendo matilhas de Beagles.

Nos meados do século 19 o Reverendo Philip Honeywood restabeleceu a criação de Beagles, mas estes cães eram criados visando apenas a sua excelência no trabalho de caça. A aparência destes cães não eram um fator importante. Foi graças a outro inglês, o Sr. Thomas Johnson. que o Beagle se tornou no cão amável, alegre e curioso tal e qual amamos hoje em dia.

Os primeiros Beagles foram trazidos para os EUA em 1876 e passaram a ser reconhecidos pelo American Kennel Club (ACK) em 1884. O primeiro Beagle a ser registrado no AKC, foi Blunder em 1885.

O Beagle é um cachorro musculoso, de pequeno para médio porte, com um faro apuradíssimo e uma capacidade de se engajar em aventuras que podem levá-lo a muitos problemas. É um cão que praticamente não tem cheiro (uma vez que as orelhas e os dentes sejam mantidos em ordem) e não precisam de banhos freqüentes. Isto é, a não ser pelo hábito nojento (obviamente para os donos e não para o cachorro) que alguns destes cães tem de se esfregar com o maior prazer em qualquer coisa malcheirosa e de preferência em decomposição.

Seu pêlo é de fácil manutenção sendo que alguns cães possuem o pêlo mais duro e áspero enquanto que outros chegam a ser verdadeiros bichinhos de pelúcia. Embora possa acontecer numa ninhada, Beagles branco e preto são raros (os filhotes que nascem desta cor normalmente se tornam tricolores ao crescer),e os totalmente brancos são raríssimos.

Se os donos tiverem os cuidados básicos na manutenção da saúde de seus Beagles, com um cuidado para evitar a tendência natural de engordar destes comilões, eles envelhecerão com dignidade e serão relativamente saudáveis por toda a vida, inclusive mantendo-se brincalhão e cheio de pique até na velhice. No entanto eles parecem ser susceptíveis a algumas doenças com maior freqüência. São elas: Infecções e fungos nos ouvidos, cataratas, epilepsia, hipotiroidísmo, e problemas de coluna. Para reduzir a chance do seu cachorro ter estes problemas é importante escolher com cuidado o criador (um criador sério não usa cães que apresentam doenças genéticas para reproduzir),prover bastante exercício para o cão, manter uma dieta balanceada e sem excessos, além de manter visitas regulares ao veterinário.

 

Tamanho:
O padrão da Federação Internacional de Cinofilia diz que o cão deve ter no mínimo 33 cm e não mais do que 40 cm de altura na cernelha; Já o padrão do American Kennel Club divide os Beagles em 2 grupos para efeito de competições: Cães com altura entre 38 cm e 33 cm e cães abaixo de 33 cm.

Peso:
O peso dos Beagles variam muito em função da altura do cão, e inclusive porque eles são os verdadeiros glutões do reino canino, mas o peso ideal deveria estar entre 8 e 14 quilos.

Aparência:
Corpo bem balanceado, compacto, de aparência sólida, com movimentos cheios de energia, mas sem esforço aparente.

Pelagem e Cor:
Pêlo baixo e rente ao corpo, de comprimento médio. Todas as cores de hound são permitidas, exceto o fígado. As mais comuns são o tricolor (preto, branco e marrom) e o bicolor (branco e marrom). A ponta da cauda dever ser sempre branca.

Cabeça:
Crânio largo, arredondado com um focinho reto e quadrado; Olhos grandes, bem afastados, nas cores castanho escuro ou avelã, com expressão meiga e “pidona”; as orelhas são longas. Baixas, largas e arredondadas.

Cauda:
A cauda é espessa de comprimento médio, alta e carregada empinada, sem curva por sobre as costas.

Expectativa de vida:
de 12 a 15 anos

Perfil da Raça

E como é a personalidade de um Beagle típico?

Bem, antes de discutirmos as particularidades dos Beagles, é preciso lembrar que o comportamento de um cão tem muito a ver com a finalidade para o qual a raça foi desenvolvida. Todo cão que foi desenvolvido para executar algum trabalho tem característica que podem ser muito úteis para o sucesso no cumprimento da tarefa, mas que podem vir a se tornar um problema e uma grande decepção para os donos que não estão atentos a estas peculiaridades e que desejam ter apenas um cão de companhia .

No caso de nosso amigo orelhudo, ele foi desenvolvido para ser um exímio caçador, principalmente de coelhos. Para tal ele tem um nariz que o leva aos lugares mais distantes e inesperados. A teimosia é um traço marcante, bem como a insistência e a resistência (inclusive a dor física). De que outra forma ele seria capaz de percorrer quilômetros e correr por 6 horas seguidas em suas caçadas, sem nunca desistir da presa? Beagles também são conhecido pela sua “voz” única, utilizada para alertar ao caçador e aos outros cães de que ele achou um cheiro que merece ser investigado. Mas o que os vizinhos acham de um Beagle que “uiva” o dia inteiro enquanto o dono está trabalhando?

Seu faro apurado e seu interesse por absolutamente tudo que seja comestível foram as fontes de referência para que cerca de 55 Beagles arranjassem um emprego no governo norte americano. É a Brigada Beagle, responsável pelo patrulhamento dos principais aeroportos dos Estados Unidos, fiscalizando e denunciando o contrabando de frutos, vegetais e outros alimentos proibidos no país.

Apesar do temperamento feliz e meigo, o Beagle não é uma raça para qualquer tipo de família. Eles demandam uma enorme quantidade de supervisão e interação. Precisam de muito exercício, são independentes, cheios de energia, precisam de muita companhia e de um dono firme e paciente, que compreenda a natureza deste cão.

Um filhote de Beagle nunca vai aceitar ficar preso por horas sem estímulo. Ele vai roer, bagunçar e destruir virtualmente tudo que ele encontrar pela frente afim de se manter ocupado. Se ele for trancado numa área pequena e sem brinquedos para se divertir, pode esperar por uma audição de “ópera” por horas a fio (provavelmente não será a sua ópera predileta). Uma opção para quem quer muito ter um Beagle, mas que tem que passar o dia todo fora, é comprar um outro Beagle para fazer companhia ao primeiro, mas será que a pessoa agüenta tanta energia, em dose dupla, ou tripla?

Pouquíssimos destes cães crescem e se tornam confiáveis o suficiente para andar fora da coleira sem fugir, causar problemas, ou pior, ser atropelado por um carro durante uma perseguição imaginária do coelho de Alice no País das Maravilhas. Eles parecem estar sempre de bem com a vida e felizes, mas também são extremamente cabeças-duras, o que dificulta bastante o treinamento de obediência e também para convencê-lo a fazer xixi e cocô no lugar que você determinou. Por isso mesmo o treinamento do filhote deveria ser iniciado o mais cedo possível e mantido regularmente até que se torne um hábito no cão adulto.

Um outro problema para donos inexperientes é a capacidade dos Beagles em manipular seus donos com aquele olhar de “eu-não-tenho-nenhum-outro-amigo-no-mundo-então-por-que-você-não-me-ama?”. Beagles são na verdade muito inteligentes, e muito bons em resolver problemas, o que também pode ser um problema no que diz respeito a treinamento. Eles podem se tornar entediados e distraídos facilmente com a rotina dos exercícios, e resolver procurar outra coisa para alegrar o dia deles. Alguns treinadores e donos preferem usar comida para ensinar os comandos de obediência. Na maioria dos casos funciona muito bem, mas é preciso ter cuidado, pois Beagles aprendem rapidamente a só responder se você tiver um petisco nas mãos.

Seja como for, a melhor maneira é manter seções curtas de treinamento DIÁRIO, pelos primeiros 2 anos de vida do seu cachorrinho. Definitivamente o esforço vale a pena, pois poucos cães são tão amigos, felizes e bem dispostos como um Beagle.

Quando usada propriamente a casinha de transporte de cachorros é muito valiosa e efetiva para ensinar ao bebê Beagle a usar o banheiro no lugar certo, além de prevenir a casa da destruição que boquinhas nervosas e narizes abelhudos proporcionam quando não estão sendo vigiados. Mesmo com todos os cuidados, os donos de Beagles deveriam estar preparados para, em alguns casos, esperar até que eles tenham 1 ano de idade para aprender totalmente onde é e onde não é permitido fazer xixi e cocô.

Geralmente Beagles são ótimas companhias para crianças e vão brincar por horas a fio, sem demonstrar nenhum sinal de cansaço. Para que esta relação tenha pleno sucesso é necessário, no entanto, que crianças e cachorros sejam ensinados a brincar com respeito e nunca de uma forma bruta. Como qualquer outra raça de cachorro, cães e crianças pequenas não deveriam ser deixadas sozinhas sem a supervisão de um adulto.

Embora esta não seja uma raça “histérica”, o Beagle irá latir se for estimulado por uma campainha, outro cachorro ou algum barulho estranho. Na verdade o Beagle não é um grande “latidor”, mas ele tem um jeitinho único de vocalizar, produzindo um som que mais se parece comum meio uivo. A incidência destes latidos e uivos varia muito de cão para cão, sendo que uma boa parcela dos donos costumam se queixar de que o cão perturba muito os vizinhos quando é deixado por muitas horas sozinho. Você pode treiná-los para responder ao comando “QUIETO”, mas exige uma boa dose de paciência. Uma boa saída para reduzir as chances do seu Beagle se tornar um problema é exercitá-lo de forma regular.

Beagles não respondem bem ao uso de força e punição física. Eles são bastante resistentes a dor e não respeitam as pessoas que os agridem. Se um treinamento for conduzido na base da pancada o cão irá se tornar agressivo, ou medroso e em ambos os casos vai evitar a companhia do dono a qualquer preço. O melhor castigo para um Beagle é a indiferença do seu dono.

Bastam uns poucos minutos de “gelo” para se conseguir toda atenção do pequeno meliante, que vem prontamente aos seus pés como que pedindo desculpas e procurando agradar. Nestes casos é importante lembrar que o castigo não deve demorar mais do que 15 minutos, especialmente se o cão for isolado numa área, pois depois deste período de tempo ele já estará pensando no que fazer para se ocupar e o castigo vai virar bagunça.

Um Beagle adulto é um cão alegre, bem disposto, louco para brincar, desbravar um lugar qualquer na companhia do dono, e sempre pronto para demonstrar toda a felicidade do mundo na hora de receber o seu “master” de volta de um longo dia de trabalho.

Por ser uma raça que caça em bando, Beagles normalmente não criam problemas com outros cães, mas eles são territoriais e isso pode detonar uma briga. Beagles jamais, em hipótese nenhuma, deveriam mostrar sinais de agressividade contra humanos, no entanto, devido a sua natureza independente eles tendem a tornar-se o cão dominante e líder da matilha, o que consequentemente traz problemas sérios, com alguns donos sendo mordidos ao tentar retirar objetos da boca de seus cães ou ao tentar removê-los da cama.

No livro The Intelligence of Dogs de Stanley Coren o Beagle ocupa a 72ª posição entre as raças pesquisadas. Ainda segundo o autor, isto significa que eles são considerados extremamente difíceis de serem treinados para executar tarefas. Normalmente são necessárias de 30 a 40 repetições de simples comandos, no início do treinamento, para que eles comecem a demonstrar alguns sinais de que estão entendendo o que se espera deles. Não é raro que estes cães precisem executar mais de 100 vezes um comando de forma correta, antes de se tornarem confiáveis na sua performance.

O treinamento de obediência básica normalmente deve ser estendido por várias sessões., e mesmo assim eles podem parecer lentos e desinteressados na conclusão dos comandos. Uma vez que estes cães tenham absorvido totalmente o comando, será necessário manter o treinamento periodicamente, uma vez que eles parecem “desaprender” numa velocidade muito grande. Na verdade, se o treinamento não for mantido, eles darão a impressão de que nunca aprenderam nada.

Alguns juizes e treinadores costumam dizer que eles são “intreináveis”, mas outros afirmam que na maioria das vezes o treinador e/ou o dono não tiveram a paciência e a persistência de manter o treinamento por tempo suficiente afim tornar os comandos de obediência em hábito de comportamento.

Eles tendem a reagir com algum interesse em menos de 25% das vezes em que um comando lhes é dado e não raro eles simplesmente dão as costas aos seus treinadores, como que se estivessem desafiando a autoridade destes.

Obs.: O gráfico acima é o resultado de um estudo realizado por Benjamin L. Hart e Lynette A. Hart, veterinários e Phd’s em comportamento animal, que entrevistaram dezenas de veterinários, treinadores e juizes de competições de obediência nos EUA.

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