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Raças > Cane Corso

História e Características Gerais da Raça 

De origem italiana, o Cane Corso é uma raça com um passado bastante dramático. Sua história coincide com a do povo italiano que viveu momentos de glória e de tristeza. Por muito tempo, a raça corria risco de se tornar extinta, mas graças aos seus amantes, o número de Cane Corsos vem crescendo gradualmente. Ainda existem debates quanto a origem de seu nome uns acreditam que Corso tenha vindo de Cohors ou Kortos que em latim significa “guardião”; outros acham que Corso vem de “corsiero”, um cavalo de guerra medieval.

O Cane Corso é uma raça que acompanhou a história italiana. Existem estudos que mostram que em 1137 os italianos já utilizavam esses cães em suas batalhas militares. Acredita-se que seus ancestrais, os Molossos de Epiro, tenham vivido na época do Império Romano e da Idade Média. Nestes tempos, a vida era dura para os homens, a miséria e a pobreza reinavam. O sucesso e a sobrevivência da raça dependia exclusivamente da sua habilidade de trabalhar nas propriedades rurais do sul da Itália, já que a opção de criar e manter um cão era puramente econômica. Os Canes caçavam grandes animais como o javali, protegiam a agricultura, o rebanho, a casa e a família dos italianos. De natureza agressiva, o Cane Corso alcançava seus objetivos sem hesitação e com uma surpreendente força. Devido à essa característica, eles eram usados também em guerras e em rinhas nos Circos contra feras e gladiadores.

A modernização da agricultura e a aparição das armas de fogo e conseqüentemente novas maneiras de caçar, fizeram com que o uso tradicional da raça diminuísse. Após a Segunda Guerra Mundial, notou-se uma grande queda na criação da raça. Em 1970 a raça estava em perigo de extinção; só existiam apenas alguns exemplares e ela já não era mais considerada nos círculos de competição e shows caninos. Porém este quadro mudou graças à ajuda de um amante da raça, o pesquisador de tradições rurais italianas, Dr. Breber. Em 1976 este italiano escreveu para a revista do Kennel Clube Italiano alertando a sociedade e cinófilos do perigo da extinção de tão tradicional raça.

Com este apelo, outros amantes da raça se sensibilizaram e formaram a Società Amatori Cane Corso (S.A.C.C.) em 1983 para propagar a raça perante o público mundial e os juízes de campeonatos. Como o interesse maior era no temperamento do cão, os criadores acabaram formando um plantel italiano com diferentes características físicas. Para englobar todos esses cães como Cane Corso “legítimo”, em 1987, o primeiro padrão oficial da raça foi publicado pelo Kennel Clube Italiano. Este padrão tornou oficial todas as características físicas existentes na época. Os anos seguintes foram compostos por muitas brigas e discussões entre os conhecedores da raça e o Clube. Acredita-se que a S.A.C.C. tenha feito “vista grossa” e registrados muitos cães fora do padrão para que pudessem aumentar o número de exemplares da raça e se auto-definirem os “salvadores” do Cane Corso. Algumas correntes acreditam que esse fato atrapalhou ainda mais a homogeneidade da raça. Vários entusiastas estrangeiros acabaram comprando esses exemplares italianos bastante divergentes entre si e levando-os para seus países, aumentando ainda mais o número de Cane Corsos heterogêneos. O também criador de Mastim Napolitano Mike Scottile, por exemplo, levou para os Estados Unidos uma ninhada de 16 filhotes da ilha de Sicília e adotou como padrão americano uma linha de porte maior que a italiana e com a mordedura em tesoura (característica de cães de guarda). Nesta época na Itália, era permitida qualquer mordedura, mas a preferida era a ligeiramente prognata (ideal para os cães boiadeiros).

Em 1996 houve-se uma grande mudança. A criação italiana alcançou uma homogeneidade desejada e a raça foi reconhecida internacionalmente pela Federation Cinelogique International (FCI). Para o padrão da FCI foi-se escolhido as características dos cães italianos, agora homogênios, deixando de fora, as características dos cães americanos. Em 1999, o Kennel Clube Italiano destituiu a Società Amatori Cane Corso como o clube oficial da raça e alguns entusiastas fundaram a Associação Italiana Cane Corso. Nos Estados Unidos, os Canes ainda não são reconhecidos pelo American Kennel Clube, mas seu clube oficial, o International Cane Corso Federation (ICCF) registra cães no padrão americano. Com essas duas distintas linhagens de padrão, este tão tradicional cão italiano poderá ser agora melhor controlado e livre do perigo da extinção.

 

Tamanho:
Porte médio-grande. De acordo com a FCI (Federation Cinelogique Internationale),os machos tem entre 64-68 cm e as fêmeas entre 60-64 cm. Os machos pesam entre 45-50 Kg e as fêmeas entre 40-45 Kg. De acordo com a ICCF (International Cane Corso Federation),os exemplares devem ter entre 56-71 cm e devem pesar de 36-63.5 kg.

Aparência:
Possui um corpo compacto, atlético, com musculatura forte e grandes ossos. Expressa força, agilidade e resistência. Movimenta-se com certa tranqüilidade. Não deve se parecer com o Mastim Napolitano. Peito bem inclinado, largo e aberto. Nariz, patas e unhas são pretos.

Pelagem e Cor:
De uma cor só, varia entre os tons de preto, cinza e fulvo (caramelo). O pêlo é curto, denso e duro. Sua pele não é aderente ao corpo e não forma rugas.

Cabeça:
com uma expressão digna que impõe respeito. Stop bem definido. Olhos relativamente médios para o tamanho da cabeça. A terceira pálpebra é bem pigmentada. As orelhas são geralmente amputadas em forma de triângulo. Arcada dentária robusta e espessa. Mordedura com levíssimo prognatismo. Para a FCI, a mordedura em tesoura é falta grave.

Cauda:
Grossa na base e estreita na ponta.

Expectativa de vida:
10 – 11 anos. Uma das preocupações de doença da raça é a displasia coxofemoral e outras doenças relacionadas aos ossos e juntas típicas de raças de porte grande.

 

Perfil da Raça

Com o passar dos séculos, a raça conseguiu através da seleção natural manter características bem próximas daquelas do passado. O Cane Corso de hoje em dia é a melhor evidência da teoria que diz que quando uma raça exibe certas características morfológicas e comportamentais relacionadas ao trabalho que ela uma vez exerceu, esta raça então mostra harmonia entra forma e temperamento. Este cão possui força tanto nos músculos quanto em sua mordedura. Através do contato social com os humanos, os Cane Corsos aprenderam a reagir somente quando necessário e tornaram-se excelentes intérpretes de gestos e movimentos humanos.

Por ter sido um cão de guerra e de guarda, o Cane Corso tem uma natureza agressiva e deve ser treinado deste cedo a respeitar e obedecer a seus donos. Contato olho-no-olho é importantíssimo para esses cães entenderem que eles não são os líderes. Os Canes costumam ser dominantes com outros cães portanto comandos como o “Não” e o “Alto” são fundamentais para um agradável passeio. São muito inteligentes e aprendem rápido. Muito corajosos, alertas e leais, são bastante compenetrados, podendo agüentar condições difíceis devido ao seu sólido equilíbrio.

Quando criados da maneira correta, esses cães ficam atentos e suspeitam de estranhos, porém não os atacam sem motivo, ou sem a ordem de seus donos. Como os filhotinhos já demonstram “personalidade” de guardiões, latindo para qualquer pessoa ou coisa estranha, é importante ensiná-lo desde cedo o que não é uma ameaça para a família. A socialização com outros cães, pessoas e lugares, deve ser iniciada assim que o cãozinho chegar em sua nova casa. Se essa parte da sua criação for omitida e ele não for estimulado corretamente, com certeza sua agressividade, aliada à sua força, o tornará muito perigoso. O Cane Corso já nasce com o temperamento de ser um bom cão de família e um poderoso cão de guarda basta que seu dono o guie durante toda sua vida no caminho certo.

Nunca se cansam de trabalhar. Podem ser usados como cães policiais, cães farejadores e como caçadores. Precisam de muito exercício para liberar toda sua energia e usarem sua inteligência. Gostam de crianças e adoram brincar e chamar a atenção. Como os Cane Corsos são bem atraentes à primeira vista, é importante consultar um conhecedor da raça ou algum dono antes de comprar um. É importante também saber qual padrão seguir, o americano ou o italiano, já que hoje eles são divergentes. Vale a pena ficar de olho também na possibilidade da sua cidade vir a ter restrições contra a raça (como por exemplo, seguro contra terceiros, uso obrigatório de focinheira e horários definidos de caminhadas). Com certeza o Cane Corso levará qualquer pessoa inexperiente com cães à loucura; portanto se você nunca teve um cachorro antes, pense bem antes de comprar este guardião, já que ele tende a ter atitudes mais independentes do que outras raças!

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