Voltar para os artigos

Saúde das fêmeas pede atenção extra

A decisão de ter um animal de estimação inclui a escolha do sexo. Machos e fêmeas de todas as espécies são diferentes, e os cuidados com a saúde também – as “meninas” demandam atenção extra, especialmente se você não quer que ela tenha filhotes. Aliás, você conhece as particularidades da saúde e fisiologia da sua mocinha de quatro patas? Já ouviu falar em piometra? Então vamos contar algumas coisas para você que é mãe ou pai de “meninas”.

Cio – Cadelas e gatas só aceitam cruzar com machos quando estão no cio, período fértil que acontece depois de um sangramento que pode ser muito discreto ou abundante. Nas cachorrinhas o primeiro cio acontece entre os 6 até 14 meses de idade, dependendo da raça, e isso se repetirá aproximadamente a cada seis meses até o fim da vida do animal.

Nas gatinhas o primeiro cio pode ocorrer entre o 4º mês ou 1º ano de vida e se repete a cada dois ou três meses. Nesta fase ela costuma se esfregar bastante nas pessoas, miar alto demais, fazer xixi fora da caixinha e empinar o bumbum. Tudo para avisar aos machos da vizinhança que ela está pronta para ter bebês. Só quem já conviveu com os berros e demanda de atenção sabem o que isso significa.

O cio na cadela ou na gata, dura, em média, de 15 a 20 dias, sendo a última semana (quando ela não sangra mais) a fase em que aceita o macho e pode ficar prenha.

Fêmeas no cio exalam um cheiro característico que atrai os machos, que poderão “montar acampamento” na porta da casa na esperança de cruzar.

Câncer de Mama – Sim, nossas meninas podem ter câncer de mamas e é relativamente comum quando elas já estão na fase sênior da vida. Acasalar uma vez na vida não evita o câncer de mama, como alguns acreditam. O que minimiza a incidência da doença (em quase 100%) é a castração precoce (antes do primeiro cio, ou logo após), cirurgia que também previne outras doenças relacionadas ao aparelho reprodutor, como a temida piometra.

Castração – A castração consiste na retirada do útero e dos ovários da fêmea e é uma solução definitiva para não entrar no cio. Hoje em dia existem técnicas que fazem um corte bem pequeno no meio da barriguinha, e a recuperação é muito rápida. A castração evita o aumento populacional e muitas vezes o abandono dos filhotes na rua. Filhotes são lindos e fofinhos, mas nem todos os donos consideram, ao permitir que suas fêmeas cruzem, que principalmente os mestiços têm menos chances de serem adotados e que mesmo os de raça podem ficar “encalhados”.

Gravidez – É responsabilidade do dono da fêmea vacinar, vermifugar e cuidar dos bebês até que eles encontrem um novo lar.

Gravidinhas precisam de alimentação especial e acompanhamento veterinário e devem ficar com os filhotes até os 49 dias – em alguns casos, até 60. Nas cachorrinhas, o período de gestação é, em média, 63 dias, podendo variar de 58 a 68 dias. Gatinhas gestam de 63 a 67 dias, podendo chegar no máximo a 72 dias.

Gravidez Psicológica – De repente a cachorrinha fica esquisita, meio triste, carregando bichinhos de pelúcia, fazendo “ninho”.  As tetinhas incham, ela fica lambendo constantemente, ou chegam a sair secreções leitosas. Se sua peludinha já passou por isso e não estava grávida, é provável que ela tenha tido Gravidez Psicológica, ou Pseudociese. Rara em gatinhas, é muito mais comum nas cadelas do que nós pensamos e, normalmente, ocorre em cadelas que nunca cruzaram e que já passaram por mais de um cio, mas também pode acontecer logo no primeiro. As causas biológicas estão relacionadas com um hormônio que precede o cio, chamado progesterona. Sua produção se estende por dois meses nas cadelas que não foram fecundadas e, para as que tiveram filhotes, por mais dois meses após o parto.

Nas nossas amiguinhas peludas, os sintomas são iguais aos da verdadeira gravidez e incluem falta de apetite e vontade de brincar ou ficar perto de humanos, posse e proteção exagerada de objetos como sapatos, camisetas, pedaços de pano, almofadas ou bichinhos de pelúcia. Elas podem, inclusive, apresentar comportamento agressivo e, por incrível que pareça, a agressão por proteção maternal é mais comum em fêmeas que não possuem filhotes do que nas que acabaram de parir. Felizmente estes sintomas são passageiros (duram em média 2 meses) e o jeito é ter paciência e deixar a bichinha curtir os “nenês” dela. Se os sintomas forem graves, ou se a peludinha apresentar inflação nas mamas, convém procurar seu veterinário para uma consulta a fim de que a inflamação não evolua e aproveitar para certificar-se de que é só uma gravidez psicológica mesmo.

Piometra – A piometra é uma infecção bacteriana que afeta cadelas e gatas não castradas – ao pé da letra, significa pus no útero (em latim, “pio” é pus e “metra” útero). Ela ocorre ao longo da idade reprodutiva, podendo ser aberta ou fechada. No primeiro caso, o sintoma é corrimento vaginal com pus (em tons de amarelo, marrom ou rosa), com cheiro muito forte e desagradável, geralmente 60 dias depois do cio.

O segundo tipo de piometra, o fechado, é mais perigoso porque os sintomas se assemelham aos de outras doenças e podem demorar a ser identificados: fraqueza, falta de apetite, sede e excesso de xixi, ou até mesmo vômito e diarreia. Em geral, o dono só percebe o problema quando é tarde demais. Sem socorro rápido, o pus vai se acumulando no útero e, sem ter por onde sair, pode rompê-lo, causando peritonite, muitas vezes fatal.

Assim que o cio passa, com altos níveis de progesterona, o útero começa a produzir mais secreções, aumenta de tamanho, e sofre uma diminuição na quantidade de células de defesa, o que facilita a proliferação de bactérias. Caso a cadela não fique prenha por vários cios seguidos, o estímulo hormonal poderá engrossar as paredes uterinas e contribuir para a formação de cistos. Estes, por sua vez, produzem um líquido que fica retido no interior do útero e que cria um ambiente favorável ao crescimento de bactérias.

Os altos níveis de progesterona ainda inibem a contração do útero, que ajudaria a expelir líquidos ou bactérias acumuladas, que podem ir para os rins pela corrente sanguínea e causar a morte do animal.

O diagnóstico da piometra se dá pela descrição de sintomas, hemograma para contagem de glóbulos brancos (leucócitos) e até raio-X – numa cadela ou gata normal, o útero não ficaria visível nesse procedimento.

O tratamento mais comum é cirúrgico, ou seja, a castração da fêmea com a retirada completa do útero e seu conteúdo tóxico. Em casos graves, a peludinha tem que ser estabilizada e tomar antibióticos antes do procedimento.

A piometra é um grande risco para animais não castrados, que pode ser facilmente prevenido com a castração por volta dos 5/6 meses, ou logo após o primeiro cio – um ato simples pode significar a diferença entre a vida e a morte da sua cadela ou gatinha.

• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

Copyright Cláudia Pizzolatto 2021 – Todos os direitos reservados.
Este artigo tem seus direitos autorais protegidos por lei. É permitida a sua reprodução sem alterações desde que sejam colocados o nome da autora e o link para a página da BitCão.

Deixe um comentário 1 comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.