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Quando falamos de vermes, tamanho não é documento

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O ditado “tamanho não é documento” cai como uma luva quando se trata de vermes intestinais, seres minúsculos capazes de causar sérias doenças e até o óbito de nossos amigos de quatro patas. Isso não é problema só de cachorro de rua, não! Animais que vivem no quintal costumam ter quatro tipos diferentes de vermes, e os que passam mais tempo dentro de casa, um ou dois. Cães que percorrem distâncias menores no passeio diário, normalmente na guia, têm mais chances de se infectar, pois ficam expostos em áreas de eliminação recorrentes – os ovos dos vermes mais comuns duram anos em contato com o solo (mais um bom motivo para recolhermos as caquinhas dos nossos peludos na rua e manter o banheiro deles limpinho). Se o cachorro estiver com vermes e você lavar o local onde ele defeca com água sob pressão, não vai eliminar os ovos, e sim espalhá-los em uma área maior.

Perda de peso, aumento no volume abdominal, falta de apetite, apatia, coceira no bumbum e diarreia (algumas vezes com muco e/ou sangue) são alguns dos sintomas de um animal infectado, mas podem demorar a se manifestar. Se você tem estômago forte, fique de olho nas fezes do seu amigão, pois muitas vezes é possível visualizá-los. Levar uma amostra para o veterinário é mais eficaz do que enviar a foto pelo WhatsApp, já que a maioria dos vermes parece igual a olho nu (e porque ele não merece abrir a mensagem na hora do almoço ou jantar!).

O exame de sangue identifica parasitas como a dirofilariose, que se aloja no pulmão e coração trazendo complicações graves que podem levar ao óbito. As filárias, causadoras da doença, devem ser eliminadas em até dez dias após a contaminação, já que depois de 100 dias a respostas das larvas ao medicamento é muito menor – mas, vamos combinar, é praticamente impossível saber se e quando o peludo foi picado, daí a importância da prevenção constante por meio de produtos específicos. E o caso é sério: no Rio de Janeiro, por exemplo, 7 em 50 cães estão contaminados, sendo maior a incidência do mosquito em Niterói e Araraúna.

 

Tipos de vermes e contaminação

 

  • Ancilostomídeos ou bicho geográfico: a contaminação pode ocorrer por meio de água, leite materno, alimentos e penetração das larvas na pele, quando o animal entra em contato com fezes contaminadas. Esse parasita se hospeda no intestino delgado e se alimenta de sangue, podendo causar anemia grave. As espécies que parasitam cães e gatos ( braziliensis e A. caninum, entre outras) não conseguem completar sua evolução na espécie humana, porém podem invadir a pele e nela permanecerem algum tempo, causando uma dermatite conhecida por “bicho geográfico”.
  • Ascarídeos (lombrigas):A contaminação ocorre por ingestão de ovos, que podem sobreviver por anos no solo. As larvas de cor amarelada chegam a medir 15 cm de comprimento e são visíveis nas fezes e no vômito.
  • Cestoides (tênias):é superimportante manter o seu bichinho distante das pulgas, que são hospedeiras intermediárias da tênia. Um animal infectado faz cocô, e a larva da pulga infecta-se ingerindo ovos eliminados nessas fezes. Os ovos continuam em evolução nessas larvas, que irão se transformar em pulgas. Quando o bichinho se lambe, o que é comum ao ser picado, ingere a pulga infectada e o Dipilidium caninum alcança o final do seu ciclo, crescendo e transformando-se em adulto no intestino do hospedeiro definitivo. O sintoma mais comum é prurido anal – dá para visualizar os vermes andando em volta do ânus do animal e nas fezes (são semelhantes a um grão de arroz).
  • Filarídeos: larva transmitida a partir da picada de mosquito que se aloja nos vasos dos pulmões ou coração, causando a Dirofilariose. Os sintomas podem demorar a se manifestar, mas o verme em estágio avançado atinge os grandes vasos, dificultando a respiração e obstruindo os vasos do coração.
  • Giárdia: protozoário transmitido normalmente pela água, causa forte diarreia, às vezes com sangue, e pode contaminar também os seres humanos. Pode ser prevenido por meio de vacina, mas para evitá-lo é essencial manter os hábitos de higiene, lavando as mãos ao manipular alimentos e usando sempre água tratada. Só produtos com amônia quaternária ou água sanitária conseguem eliminar o protozoário do ambiente.
  • Tricurídeos: encontrados com mais frequência em cães, ligam-se ao intestino grosso onde se alimentam de sangue. A ingestão ocorre por meio da ingestão de ovos, que são muito resistentes, sobrevivendo no solo durante anos.

 

Higiene

A ingestão de ovos de vermes pode ocorrer quando o cão cheiras o cocô de outro na rua. Manter limpos os locais onde os peludos vivem e fazem as necessidades é essencial para evitar contaminação. Além de remover as fezes, lave e desinfete as áreas para eliminar ovos, cistos e larvas. E sempre é bom lembrar: recolha os “presentinhos” que o seu amigo deixa na rua durante o passeio. Se todos os donos agirem dessa forma, as chances de contaminação diminuem um bocado.

 

Vermifugação

Bem, não entendemos o que deu na cabeça de Noé para permitir que vermes e parasitas entrassem na arca, mas já que estão aí, todo cuidado é pouco. O veterinário vai recomendar o vermífugo ideal para o seu amigo, e é importante medicar todos os animais da matilha ao mesmo tempo. Em geral o protocolo é:

Cães

1ª dose do vermífugo aos 20 dias de idade, juntamente com a mãe, que deve ser vermifugada aos 40 dias de gestação.

2 a 6 meses: mensal

7 a 12 meses e adultos: de 4 em 4 meses, ou de acordo com a orientação do veterinário.

Gatos

1ª dose aos 30 dias junto com a mãe, que toma a 1ª dose aos 40 dias de gestação

2 a 6 meses: mensal

7 a 12 meses e adultos: de 4 em 4 meses

Outra doença causada por larvas é bicheira. A mosca Cochliomyia  hominivorax é atraída por ferimentos, cortes ou mordeduras, onde deposita de 200 a 400 ovos. As larvas eclodem depois de 12-24 horas e se alimentam de fluidos orgânicos e tecidos vivos, fazendo verdadeiras galerias dentro do animal. É necessária a remoção mecânica das larvas, seguida de assepsia e spray larvicida para ajudar na cicatrização.

Os bernes, mais comuns em animais que vivem no campo, são transmitidos pela mosca Dermatobia hominis. As larvas se desenvolvem no tecido subcutâneo, causando grande incômodo ao peludo.

 

– Cláudia Pizzolatto e Regina Ramoska

 

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